‘Isso não faz parte da minha vida’, diz Russomanno ao minimizar ditadura militar no Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O candidato a prefeito Celso Russomanno (Republicanos) evitou responder se o Brasil passou por uma ditadura militar e minimizou o regime que vigorou no país entre 1964 e 1985, nesta quarta-feira (14), em entrevista ao SBT.

“Eu acredito que ditadura é o que a gente vive nos países em que você não pode sair ou entrar do país, que o seu passaporte é cassado. Isso é uma ditadura”, afirmou ele ao ser questionado se concordava com a negação da ditadura por algumas autoridades, o que inclui o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), seu apoiador.

“Nós vivemos um governo militar aqui, sem dúvida nenhuma. E lembrem-se que na década de 60 as donas de casa saíram às ruas batendo panelas pedindo para que os militares assumissem o poder. Isso não faz parte da minha vida porque eu era garotinho nessa época”, continuou Russomanno.

O postulante disse na sequência que “a democracia se constrói com a liberdade que nós temos hoje” e defendeu sua preservação. Na sequência, afirmou que a manutenção da democracia envolve “o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, cuidados pela Marinha, o Exército e a Aeronáutica”.

Russomanno voltou a ser questionado por ter dito, nesta terça-feira (13), que moradores de rua podem ser mais resistentes ao coronavírus por não tomarem banho. Ele se irritou com os entrevistadores ao ser indagado se a frase foi preconceituosa. Disse que os repórteres que tiraram sua frase do contexto é que foram preconceituosos com a população de rua e fizeram sensacionalismo.

“O que eu estava discutindo: que a ciência precisa estudar muito a Covid para entender por que onde existe aglomeração, onde as pessoas na periferia, por exemplo, estão aglomeradas em pequenas moradias […] não contraem a doença; por que que os moradores de rua têm casos pontuais. […] Se alardeava que, quando a Covid chegasse no Brasil, ela atacaria de pronto a cracolândia e os moradores de rua, e isso não aconteceu”, afirmou.

O candidato buscou colocar o foco de sua frase no fato de que os moradores de rua não tomam banho, e não na relação que fez entre essa situação e o coronavírus —o que é refutado pela ciência. Com isso, passou a criticar a gestão do prefeito e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), por, segundo ele, não cuidar dos moradores de rua.

“Sacaram a frase de que eu disse que os moradores de rua não tomam banho. Eu disse que eles tinham dificuldade de tomar banho, porque são 27 mil pessoas abandonadas no centro da cidade sem o cuidado do poder público. O poder público não é presente. Eu acho triste isso, não respeitar essas pessoas.”

Desde o início da campanha, o candidato vinha mantendo um tom sereno mesmo diante de perguntas incômodas. Desta vez, elevou a voz e chegou a afirmar que um dos jornalistas do SBT estava errado e “faltando com a verdade”.

Russomanno também se negou a comentar sua posição sobre o aborto, lançando mão da justificativa de que o tema não é de competência municipal. “Isso não é atribuição do prefeito. O que for atribuição do prefeito eu estou aqui à sua disposição para responder. Sobre esse assunto eu não vou responder. Obrigado.”