Vizcarra acusa Congresso de se aproveitar da indignação com derrota do Peru para avançar em projeto de aposentadoria

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LIMA (Reuters) – O presidente peruano, Martín Vizcarra, reclamou nesta quarta-feira que o Congresso, controlado pela oposição, aproveitou a partida da seleção do Peru, e a indignação dos torcedores com a derrota contra o Brasil, para aprovar, em comissão, um projeto que busca outro resgate parcial dos fundos de Previdência privada.

A Comissão Econômica do Congresso aprovou um projeto de lei na noite de terça-feira que permitiria retirar até 17.200 sois peruanos (4,8 mil dólares) dos fundos de aposentadoria privada por membros que não contribuíram por 12 meses consecutivos.

Em Lima, O Peru perdeu por 4 a 2 para o Brasil, em um jogo que terminou em polêmica. Na manhã desta quarta-feira, Vizcarra afirmou que o árbitro da partida, o chileno Julio Bascuñan, cometeu “erros grosseiros” que desequilibraram o resultado a favor do pentacampeão mundial nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Catar, em 2022.

“Ontem (terça-feira), enquanto renegávamos o resultado da partida do Peru contra o Brasil, enquanto estávamos contrariados com as decisões do árbitro, algumas comissões do Congresso estavam aprovando alguns pareceres que acho que merecem um esforço de coordenação”, disse Vizcarra, discordando dessa iniciativa.

O projeto deve ir ao plenário do Congresso para sua apreciação final. Caso avance, levará à segunda retirada parcial desses recursos, depois que a Câmara deu luz verde, em abril, a um projeto para solicitar até 25% de poupança privada, apesar da rejeição do governo.

O banco central local também criticou a iniciativa do Congresso e afirmou que uma nova retirada dos fundos de Previdência privada impactaria o sistema financeiro.

Entre janeiro e julho, devido à primeira regulamentação, as gestoras de fundos de pensão tiveram que liquidar ativos nos mercados local e externo (incluindo títulos) para entregar cerca de 24 bilhões de sois peruanos aos seus afiliados, segundo o banco.

(Por Marco Aquino)

((Tradução Redação Brasília, 55 61 33296012)) REUTERS GP AC

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