Indígenas colombianos marcham para Bogotá e exigem reunião com presidente

Indígenas colombianos participam de marcha rumo a Bogotá

Por Luis Jaime Acosta

BOGOTÁ (Reuters) – Cerca de 5.000 indígenas do sudeste da Colômbia partiram nesta quinta-feira a pé e de ônibus rumo à capital Bogotá para protestar contra as políticas econômicas e sociais do governo e exigir um encontro com o presidente Iván Duque.

A marcha, que partiu da cidade de Cali, é conhecida na Colômbia como “minga”. Os organizadores planejam chegar a Bogotá na segunda-feira, a tempo de se juntar a uma greve nacional convocada por sindicatos, organizações estudantis e outros grupos para quarta-feira.

Embora Duque tenha enviado uma delegação de ministros e outras autoridades de alto escalão para Cali no início desta semana, os líderes indígenas se recusaram a se encontrar com os enviados, insistindo que só manteriam conversas “governo a governo” com o presidente.

“Queremos dizer ao mundo que na Colômbia temos um presidente, mas ele é um presidente que não serve ao seu povo”, disse Ferley Quintero, conselheiro sênior do povo Yanacona, à Reuters. “A minga do sudeste continuará lutando”.

O protesto é em defesa da vida, dos territórios indígenas, da democracia e da paz, bem como uma rejeição a recentes assassinatos de ativistas e massacres, disse Quintero. Os manifestantes clamarão por políticas que garantam o bem-estar dos colombianos em geral e dos povos indígenas.

Membros de grupos rebeldes de esquerda não se infiltraram no movimento, acrescentou. Autoridades do governo têm dito que rebeldes se aproveitaram dos protestos recentes para fomentar a violência.

“Sempre foi política do governo estigmatizar o protesto social. Sempre foi estratégia do governo estigmatizar as ações políticas dos povos indígenas”, disse Quintero, acrescentando que os manifestantes seguirão protocolos de proteção contra o coronavírus.

O governo continua aberto a negociações com os manifestantes, disse a ministra do Interior, Alicia Arango, em Cali, no início desta semana.

Os manifestantes não devem bloquear estradas ou tomar outras ações que retardem a recuperação econômica após mais de cinco meses de quarentena nacional devido ao coronavírus, acrescentou.

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