Melchionna propõe que grandes devedores paguem dívidas da baixa renda

SÃO PAULO, SP (UOL-FOLHAPRESS) – A aprovação de uma lei para que grandes devedores paguem dívidas de pessoas de baixa renda é uma das propostas de governo de Fernanda Melchionna (PSOL) para a Prefeitura de Porto Alegre.

O benefício seria destinado àqueles que estejam simultaneamente no Cadastro Único, no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e no Serasa.

“Seria uma luta política na cidade e uma luta jurídica com relação à legislação. Estamos propondo uma lei de transição tributária”, afirmou a candidata durante sabatina promovida pela Folha em parceria com o UOL.

A candidata classifica como “cruel” o tratamento dispensado pela atual gestão ao pequeno comerciante que deve Imposto Sobre Serviços (ISS), e a moradores de bairros populares que não estejam em dia com o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).

“Mas o tom muda com a classe alta. Marchezan fala grosso com o povo, com os municipários, mas, na hora de garantir que os ‘grandões’ paguem ao município, ele não faz”, disse. “O ano de 2021 vai ser muito difícil. Quem está dizendo que vai resolver todos os problemas de saúde, educação e segurança, sem dizer quem vai enfrentar, está mentindo para a população”, completa.

PROPOSTA DE MANTER O AUXÍLIO EMERGENCIAL

A candidata fala também em manter o auxílio emergencial no próximo ano em Porto Alegre. O dinheiro sairia de uma proposta de melhoria na arrecadação, sem aumento de cargas tributárias, e de um corte de 70% dos cargos de confiança.

Por suas contas, assim se economizaria R$ 61 milhões. “Essa renda, além de ter uma política para os mais vulneráveis, é fundamental para a economia local.” Fernanda afirma que, de qualquer forma, a “luta política” nacional para manter os R$ 600 do auxílio emergencial segue.

ESQUERDA UNIDA

“Lutei muito por isso, mas não foi possível”, disse a candidata que se define como uma grande defensora na busca por compor uma unidade com “esquerdas diferentes”.

Ela afirma que defendeu um programa democrático e criticou a decisão da chapa majoritária formada por Manuela D’Avila (PCdoB) com Miguel Rossetto (PT) como vice. “No meio da pandemia, chancelaram o nome de Rossetto para vice da Manuela. Nem sequer nos ligaram, colocaram a sua candidata, o seu vice, o seu programa. Isso para nós não é unidade”, criticou.

Apesar disso, a candidata diz que “a luta contra a extrema-direita é maior do que as diferenças do passado” e que, caso Manuela D’Ávila (PCdoB) enfrente o segundo turno, não hesitará em apoiá-la.

“O importante é que Nelson Marchezan Júnior (PSDB) não vá para o segundo turno”, disse a candidata, que reforça ser filiada a um partido que é a favor do processo de impeachment do prefeito de Porto Alegre: “Ele cometeu inúmeros crimes.”