Festas e formaturas de alunos viram problemas para escolas
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Festas e formaturas de alunos viram problemas para escolas

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Festas e formaturas de alunos têm preocupado escolas particulares de São Paulo que retomaram as atividades presenciais. Diretores têm enviado cartas às famílias para pedir que evitem aglomerações e a realização de eventos.

Nesta semana, três colégios suspenderam total ou parcialmente as aulas presenciais; dois deles confirmaram terem tido casos de coronavírus entre alunos e professores. No entanto, há ainda famílias que defendem que sejam feitas festas no fim do ano.

O estado de São Paulo registrou aumento de 18% na média de internações de pacientes com Covid-19 na última semana, segundo o centro de contingência do coronavírus. A elevação levou o governo a adiar para o próximo dia 30 novos avanços de regiões para a fase verde.

Na Brazilian International School, em Moema, a direção avaliava realizar a formatura dos alunos que saem da educação infantil para o ensino fundamental. O evento foi cancelado depois da decisão estadual. Nos últimos 20 dias, a escola registrou três casos confirmados de coronavírus -dois estudantes e uma professora.

No entanto, pais de alunos da escola ainda estão organizando uma festa de formatura para as turmas do 9º ano do ensino fundamental. Apesar de o evento não ser feito pelo colégio, a direção recomendou às famílias que não o realizassem.

“Fomos apenas convidados pelos pais, já que a organização é deles. Eu entrei em contato com as famílias para recomendar que não seja feito nesse momento, quando ainda não há uma definição da situação da pandemia”, disse Alessandra Lopes, sócia-fundadora da escola.

A festa para cerca de 140 pessoas está marcada para 19 de dezembro em um buffet. Em setembro, o prefeito Bruno Covas liberou que salões de festas e bailes funcionassem como bares ou restaurantes, desde que respeitem as mesmas regras do protocolo sanitário criadas para esses espaços.

“O buffet disse que o evento estava autorizado e, na minha opinião, é seguro. A gente tem que continuar vivendo, com máscara e álcool em gel, mas não podemos parar de viver. Depois de um ano inteiro online, os alunos merecem pelo menos uma formatura”, disse a advogada Maria Helena Ferraresi, 44, mãe de um aluno de 14 anos que está no 9º ano.

No colégio Dante Alighieri, no Jardim Paulista (zona oeste da capital), a comissão de alunos também negocia com a direção a realização de uma festa de formatura do ensino médio no ginásio da escola, apenas com a presença dos pais.

“A escola tem um protocolo rígido e robusto para as atividades presenciais com os alunos e acho que um evento simples, com poucas pessoas, em um espaço aberto, seria seguro”, disse a advogada Alessandra Sgai, 52, mãe de uma aluna do 3º ano. A proposta é de que seja feito um evento por turma, cada uma com cerca de 30 estudantes.

Valdenice Minatel, diretora da escola, disse que o alerta de aumento de casos na última semana fez com que se adiasse a decisão sobre a formatura. Segundo ela, o colégio não foi informado de nenhum caso confirmado de coronavírus entre alunos ou professores desde o retorno das atividades.

“A gente vivia um cenário até a semana passada, mas agora começamos a receber notícias tristes sobre a pandemia. A preocupação é chegar ao final do ano com mais tensão. Vamos tentar uma formatura presencial, se a situação permitir”, disse.

Com receio de registrar contaminação dentro do ambiente escolar, outros colégios da capital também enviaram nesta quarta (18), cartas às famílias para pedir que evitem eventos sociais. No Santa Cruz, no Alto de Pinheiros (zona oeste), cinco alunos tiveram teste positivo na última semana e, na anterior, foram dois os casos confirmados.

“Acompanhamos com preocupação os dados de aumentos de casos nos estratos sociais e nos bairros de muitos de nossos alunos. Notícias publicadas nesta semana associam essa crescente contaminação ao relaxamento do isolamento social e à participação em eventos, especialmente entre adolescentes”, diz a carta.

Segundo Fabio Aidar, diretor da unidade, não houve casos de contaminação entre alunos de uma mesma turma, o que o leva a acreditar que a infecção tenha ocorrido fora do ambiente escolar.

“Não podemos afirmar com toda certeza de que não foi aqui, mas o acompanhamento indica que nosso protocolo está funcionando. Para que continue funcionando, precisamos que todos sigam as regras dentro e fora da escola.”

O Santi, no Paraíso (zona sul), também informou que enviará um comunicado às famílias para pedir que redobrem os cuidados com as medidas sanitárias.

Nesta quarta, o secretário de Educação de São Paulo, Rossieli Soares, disse que o governo estadual monitora a alta de casos confirmados e suspeitos nas escolas particulares e alertou as famílias para que não relaxem nas regras da quarentena.

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