Com ataques e humor, debate digital em SP esquenta e acende alerta das fake news
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Com ataques e humor, debate digital em SP esquenta e acende alerta das fake news

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Tão logo foi definido o segundo turno, apoiadores dos candidatos que avançaram na disputa em São Paulo subiram o tom e intensificaram ataques nas redes sociais.

Na curta campanha da reta final, os embates na internet são feitos com mais humor e uso de memes e, aparentemente, com menos notícias falsas do que no pleito de 2018.

Os candidatos Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) entraram na mira da artilharia adversária. Eles têm sido alvos de críticas que resgatam pontos polêmicos do passado, que os associam a seus vices ou padrinhos políticos e que rebatem declarações e propostas contestáveis.

Ainda no domingo (15), pouco depois de definido o cenário eleitoral, o influenciador Felipe Neto, que tem 12,6 milhões de seguidores no Twitter e 40,5 milhões de inscritos no seu canal do YouTube, declarou apoio a Boulos e associou o tucano ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“É hora de vencer o bolsonarismo!”, escreveu Felipe Neto no fim da mensagem em que afirmava a concordância do PSDB em 92% das orientações bolsonaristas, contra 15% do PSOL.

A publicação alimentou comentários inflamados nas redes. Internautas resgataram uma selfie tirada por Covas e publicada por ele em março do ano passado em que aparece sorrindo ao lado do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), do atual ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e do presidente Bolsonaro.

As associações fizeram Covas reagir. Na terça (17), ele respondeu negando ter votado em Bolsonaro e dizendo que o influenciador não conhecia sua trajetória.

Ao jornal Folha de S.Paulo, disse em entrevista publicada na quarta (18), que tirou a selfie apenas por ser educado. “Uma coisa é você, como prefeito da cidade, cumprimentar o presidente, o que não tem nenhuma relação com concordar com o que ele faz ou fala. Corresponde ao meu jeito de ser.”

Bolsonaro tem 48% de rejeição na capital paulista de acordo com o Datafolha, e foi apontado pelo marqueteiro do candidato derrotado Celso Russomanno, Elsinho Mouco, como um dos principais fatores para o derretimento do deputado na eleição.

Outra foto, do avô de Bruno, Mário Covas (1930-2001), com o ex-presidente Lula e o ex-líder do PDT, Leonel Brizola (1922-2004) foi usada para atacar o candidato tucano.

“Tal avô”¦ tal neto”, frase estampada na montagem, com a imagem do prefeito ao lado de Doria e Bolsonaro.

Em outra montagem, metade de uma imagem de perfil de Covas aparece com outra metade de Doria, como se fosse um único rosto. “Dorvas”, diz o meme. O candidato tucano escondeu o padrinho político durante campanha no primeiro turno.

“Temos visto nesta semana um comportamento agressivo dos nossos adversários nas redes sociais”, avalia Felipe Soutello, coordenador da campanha de Covas.

Ele responsabiliza parlamentares do PSOL por publicações que, segundo ele, exploram momentos em que o prefeito vivia situação dura no tratamento contra o câncer.

A deputada do PSOL Sâmia Bomfim publicou vídeo com críticas a atuação de Bruno Covas em relação a manifestação de professores em 2019.

“Bruno Covas mandou bater em professor que protestava contra diminuição de salário e ainda mandou beijinho cínico”, disparou a parlamentar.

Outro deputado do PSOL que subiu o tom foi Ivan Valente, que publicou foto de Covas, ainda quando era parlamentar, defendendo proposta de emenda constitucional do teto dos gastos.

De acordo com a Buzzmonitor, ferramenta do Elife Group, nos últimos 30 dias, Covas e Boulos foram mencionados em 103.233 publicações no Twitter. Em 43.652 postagens de usuários distintos, o atual prefeito foi o mais citado, com 70,4% das menções, enquanto o psolista teve 29,6%.

O relatório mostra que, no período, a hashtag mais usada explora notícia falsa contra o psolista. A #LaranjaldoBoulos teve 1.722 menções.

Vídeo que foi retirado do ar por determinação da Justiça, do blogueiro Oswaldo Eustáquio, investigado no inquérito que apura articulação de atos antidemocráticos, cita o que seriam empresas fantasmas de Boulos para lavar dinheiro na campanha em São Paulo.

Já para as publicações que mencionam Covas, a principal hashtag foi a Virasp50, de apoio a Boulos, o que sugere que Covas foi mais mencionado pela oposição do que por apoiadores.

O levantamento aponta que, já no segundo turno, Bruno Covas teve 72,3% das menções no período (18.421 posts), enquanto Guilherme Boulos teve 27,7% (7.054 posts). O candidato tucano teve 85% de menções negativas, 14% neutras e 1% positiva. Boulos teve 77%, 21% e 2%, respectivamente.

O psolista tem figurado em memes debochados que o relacionam a invasões. Em um deles, a imagem de um veículo que bateu em uma casa tem a legenda “carro que invadiu casa no interior é batizado de Fiat Boulos”.

Nesta semana, críticas contra Boulos aumentaram após declaração sobre concurso para reduzir déficit da Previdência. No WhatsApp circulou meme em que o fio de um adaptador se conecta nele mesmo. “Solução da Previdência, segundo Boulos”, diz a legenda.

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