Sinais mistos no exterior provocam instabilidade no Ibovespa em dia de Powell
Economia

Sinais mistos no exterior provocam instabilidade no Ibovespa em dia de Powell

Apesar do tom positivo na maioria das bolsas externas, o Ibovespa tem instabilidade nesta sexta-feira, mas sem ainda abandonar a possibilidade de fechar mais uma semana de valorização – a terceira seguida. Até agora, acumula 1,76%. Ainda como pano de fundo está a esperança de chegada de vacinas contra o novo coronavírus. A farmacêutica Pfizer planeja pedir hoje aos órgãos reguladores de saúde dos EUA a aprovação para uso emergencial da vacina contra a covid-19, desenvolvida em parceria com a BioNTech. A expectativa é que o medicamento comece a ser distribuído entre meados e fim de dezembro.

O espaço para eventual ganho ou queda moderada ao longo do dia deve ser motivado ainda por fluxo externo, porém pode ser limitado por temores quanto à retomada econômica dos EUA, onde há avanço de casos da pandemia, assim como na Europa. Enquanto os senadores voltam a debater um novo pacote fiscal, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, informou ao Federal Reserve que não renovará os programas de apoio ao crédito, que terminam em 31 de dezembro.

Na terça-feira, o presidente da instituição, Jerome Powell, indicou que não achava apropriado permitir que os programas expirassem. Por isso, as atenções sobre Powell devem ficar ainda mais concentradas durante evento nesta sexta-feira, às 17h.

“Temos o acordo para o Brexit perto de ser alcançado. Ao mesmo tempo em que Mnuchin diz que não deve ter renovação dos programas, o debate sobre o pacote fiscal continua, podendo permitir alta aqui, mas talvez moderada”, observa o economista-chefe do ModalMais, Álvaro Bandeira.

As principais bolsas da Europa sobem, com o surpreendente avanço do varejo britânico em outubro dando uma injeção de otimismo quanto à atividade no continente, e ainda impulsionadas pela expectativa de pacote fiscal nos EUA. Já os índices futuros em Nova York cedem entre 0,025 e 0,10%, com o Nasdaq subindo 0,18%.

Bandeira completa que a valorização do petróleo no mercado internacional deve puxar as ações da Petrobras. Além disso, foco também na noticia de que a Raízen, controlada pela Cosan, e o Grupo Ultra, dona dos postos Ipiranga, lideram a disputa pelas refinarias Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul. Outro fator que pode beneficiar a Bolsa brasileira é a elevação de 0,74% do minério de ferro negociado no porto de Qingdao, na China, onde as taxas de juros de referência para empréstimos de curto e longo prazos foram mantidas pelo sétimo mês consecutivo.

O imbróglio do Amapá, no entanto, pode ofuscar possíveis altas na B3, à medida que tende a pressionar as ações do setor elétrico, após informação de que o governo deve editar uma MP para isentar consumidores do Estado do pagamento da conta de luz em novembro. O Estado sofreu dois apagões em um intervalo de 14 dias. A Justiça Federal determinou o afastamento provisório da diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Operador Nacional do Sistema (ONS).

A isenção aos consumidores do Amapá, sem dúvida, traz alívio à população local que sofre há dias com o problema. No entanto, tende a custar caro para os cofres do governo, que já se defronta com um rombo fiscal elevado. Além do mais, o custeio também deve recair sobre os demais consumidores do País no momento em que a inflação não sugere dar trégua, o que acaba por colocar ainda mais pressão sobre o fiscal e sobre as ações das elétricas na B3. Na Bolsa, o índice setorial elétrico cedia 0,26%, ás 10h44.

Ficam ainda no radar as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, feitas ontem à noite, de que fará “o que for necessário” para reduzir a dívida, incluindo a possibilidade de “até vender um pouco de reservas”.

O economista do ModalMais não acredita que o mercado ficará incomodado com a afirmação de Guedes, já que se o intuito for mesmo quitar a dívida, pode ser até bem visto. O problema, diz, é se os recursos forem usados para investimentos, o que, em tese, geraria inflação. “Nossas reservas cresceram com o próprio crescimento da dívida interna, e não, de modo geral, de saldos comerciais. Para endividamento, não vejo nada de mais se for o caso”, avalia, lembrando ainda da atratividade da Bolsa brasileira aos olhos estrangeiros neste momento e que tende a continuar, aproveitando oportunidade.

No corporativo, destaque para CSN, que anunciou a retomada da produção do seu Alto-Forno 2 em meio a intensa demanda do mercado, que estava parada desde maio. Os papéis subiam 0,94%, no horário citado acima. O Ibovespa cedia 0,15%, aos 106.510 pontos, após máxima aos 106.572,83 pontos.

A carência de notícias nesta sexta-feira explica em parte a falta de direção da maioria dos mercados de ações. Na B3, as blue chips Petrobras (PN: -0,21%; ON, alta de 0,08%) e Vale (alta de 0,41%) têm sinais variados. Em contrapartida, PetroRio ON, que disparou ontem, realiza, cedendo 2,39%, na lista das maiores quedas do Ibovespa, que ainda tem papéis ligados a consumo, com destaque para o declínio de 1,08% de Carrefour. No noticiário envolvendo a empresa está a informação de que um homem negro foi espancado e morto por dois homens brancos – um segurança e um PM – em uma unidade da loja em Porto Alegre.

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