Não sou candidato de Bolsonaro nem de Lula em Vitória, diz Delegado Pazolini
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Não sou candidato de Bolsonaro nem de Lula em Vitória, diz Delegado Pazolini

VITÓRIA, ES (FOLHAPRESS) – Na disputa pelo segundo turno em Vitória contra o ex-prefeito João Coser (PT), o deputado estadual Delegado Pazolini (Republicanos) tenta se descolar da imagem de bolsonarista. Rejeita a extrema direita, se coloca mais ao centro e diz que não é o candidato do presidente.

Pazolini ganhou os holofotes por sua atuação contra pedófilos enquanto delegado e saiu do 1º turno com 30,95% dos votos; Coser teve 21,82%. Lucas Rezende

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Pergunta – O sr. aceita o rótulo de bolsonarista?

Lorenzo Pazolini – Meu mandato e minha vida sempre foram pautados pela independência, pela minha consciência, mas sempre observando o desejo da população. Me pauto pela razoabilidade e pela ética.

O sr. tem discordâncias de ações do presidente?

LP – Cabe-me analisar os fatos do governo estadual.

Mas o sr. é do Republicanos. Seu partido está ligado à Igreja Universal. É o partido de Crivella e Russomano. Mesmo assim, não é alinhado à direita?

LP – Sempre fui de centro-direita, mas com bom senso, com tranquilidade, análise crítica.

Quer dizer que rejeita os extremos?

LP – Com certeza absoluta.

Adversários dizem que o sr. é bolsonarista, mas esconde isso.

LP – Não sou o candidato nem do Bolsonaro nem do Lula. Sou o candidato da família. Tenho condições de empregar uma cidade com mais tranquilidade e segurança. Para quem quer que seja, de centro, de direita. O debate não é esse.

Qual sua relação com a ministra Damares? O sr. já organizou uma homenagem a ela na Assembleia Legislativa.

LP – Me relaciono com ela, como com qualquer autoridade. Dialogo independentemente do espectro de atuação. Quem quem fazer o bem, lutar, certamente terá meu apoio.

Não está tentando evitar um posicionamento?

LP – Não. Minha vida pública é limpa. Está nas redes sociais, nas minhas votações. Tenho tranquilidade de dialogar. Sempre tive minhas votações pautadas pela razoabilidade.

Um dia depois de Bolsonaro estimular a população a invadir hospitais para filmar a oferta de leitos da Covid-19, o sr. esteve num hospital com outros deputados fazendo uma vistoria por conta própria. Por que fez isso?

LP – Fiz uma inspeção, que é direito constitucional de parlamentar. Recebemos demanda de trabalhadores sobre o atendimento no hospital. Estivemos lá de forma ordeira. A equipe nos acompanhou, agradeceu.

Essa visita gerou mudanças. Logo após, foi anunciada a expansão de leitos e a reforma de uma ala do hospital. Houve também uma denúncia de superfaturamento, e a diretoria foi substituída. Não há relação com fala de autoridade. Se tivesse sido uma visita clandestina, as forças de segurança teriam sido acionadas pelos vigilantes.

E o que comprovou de fato na visita?

Falta de EPIs [equipamentos de proteção individual] ou EPIs de baixa qualidade. Foram constatados que profissionais estavam descansando no chão, em cima de papelão. E faltava medicação.

O governador Renato Casagrande (PSB) chamou de invasão e a Procuradoria-Geral do Estado entrou com uma representação contra o sr.

LP – Lamento muito. Politizaram algo que não deveria ter sido politizado. O papel do governo era reconhecer, corrigir.

O sr. se arrepende?

LP – Não, porque foi um exercício da minha prerrogativa como deputado.

O sr. esteve no norte do estado quando ocorreu o caso da menina de 10 anos grávida após ser estuprada pelo tio. Pessoas ligadas à ministra Damares Alves também. A Folha publicou que ela agiu para evitar o aborto. O sr. também?

LP – Jamais permitiria e compactuaria com esse tipo de coisa.

Fontes relatam que o sr. esteve presente em reuniões com os conselheiros tutelares.

LP – A pauta de que eu participei era para discutir a melhor maneira de proteger a criança.

Em algum momento encontrou a família da criança ou a criança?

LP – Não. Só interagi com autoridades locais. E importante dizer: interagi como presidente da Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente da Assembleia.

O sr. é a favor do aborto num caso como aquele?

LP – Não me cabe decidir. A família é quem deve decidir e a decisão deve ser soberana. Todos devem respeitar a intensa dor e sofrimento. Ter empatia. A criança precisa de acolhimento. Esse deveria ser o debate. E minha atuação sempre foi referência na proteção de crianças e adolescentes. Prendemos mais de 400 abusadores.

A imprensa local publicou que o ex-presidente da Assembleia José Carlos Gratz disse que se encontrou com o sr. antes do 1º turno. Ele é acusado de comprar votos de deputados.

LP – É mentira. Atuei em torno do combate à corrupção, já prendi diversos corruptos. É uma criação falaciosa. Foi desmentida pelo Gratz.

No 1º turno, tentaram colar no sr. a pecha de “Era Gratz”, porque o ex-deputado Marcos Madureira foi aliado de primeira ordem de Gratz e assumirá a cadeira do sr. caso seja eleito. Qual sua relação com Madureira?

LP – Nunca troquei uma palavra com ele.

A sede da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente foi invadida por criminosos na sua gestão. Qual foi o erro naquele episódio?

LP – Há um déficit estrutural na Polícia Civil. Muitos prédios não têm alarme, câmeras de segurança. Mas identificamos as armas, os envolvidos, alguns já estão condenados, presos.

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RAIO-X

Lorenzo Pazolini, 38

Formado em direito e pós-graduado em gestão de segurança pública, foi auditor do Tribunal de Contas do ES. Na Polícia Civil, foi delegado e comandou, entre outras, a delegacia especializada de tóxicos e entorpecentes. Em sua primeira eleição, em 2018, foi eleito deputado estadual pelo PRP. Hoje está no Republicanos.

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