Após violência no Capitólio, Trump enfrenta pedidos de destituição e êxodo de auxiliares
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Após violência no Capitólio, Trump enfrenta pedidos de destituição e êxodo de auxiliares

Por Steve Holland e Andy Sullivan

WASHINGTON (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrentava nesta quinta-feira pedidos crescentes por sua destituição e um êxodo de membros do governo, um dia depois que uma multidão de apoiadores dele invadiu o Capitólio dos EUA em um ataque brutal à democracia norte-americana.

Embora Trump tenha apenas 13 dias restantes em seu mandato, houve diversas demandas para sua destituição, incluindo dos principais democratas no Senado e na Câmara e de um parlamentar republicano. O Congresso certificou formalmente a vitória do presidente eleito democrata Joe Biden na quinta-feira, apesar das objeções de alguns parlamentares republicanos.

Membros do gabinete de Trump e aliados do presidente republicano discutiram a invocação de uma cláusula da Constituição dos EUA para removê-lo do cargo, disse uma fonte familiarizada com a situação.

Enquanto isso, um número crescente de assessores da Casa Branca pediu demissão, incluindo o enviado Mick Mulvaney, ex-chefe de gabinete de Trump, e o principal conselheiro sobre a Rússia, Ryan Tully. Mais saídas eram esperadas em breve.

O Facebook, uma plataforma de mídia social importante para Trump, também afirmou que vai proibir postagens de Trump até a posse de Biden em 20 de janeiro.

A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, e o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, pediram a imediata remoção de Trump com base na 25ª Emenda da Constituição, que permite aos membros do gabinete destituir um presidente que se mostrar incapacitado. Pelo menos um republicano e 19 democratas na Câmara dos Deputados também defenderam essa medida.

“O que aconteceu ontem no Capitólio dos EUA foi uma insurreição contra os Estados Unidos, incitada pelo presidente”, disse Schumer em um comunicado. “Este presidente não deve ocupar o cargo por mais um dia.”

“Se o vice-presidente e o gabinete se recusarem a agir, o Congresso deve se reunir novamente para destituir o presidente”, acrescentou.

A Câmara liderada pelos democratas aprovou o impeachment de Trump em dezembro de 2019 sob a acusação de abuso de poder e obstrução do Congresso depois que o presidente pressionou a Ucrânia a investigar Biden, mas o Senado, controlado pelos republicanos, votou em fevereiro de 2020 por mantê-lo no cargo.

O deputado republicano Adam Kinzinger pediu que a 25ª Emenda seja invocada para remover Trump.

“Todas as indicações são de que o presidente perdeu o rumo, não apenas de seu dever ou mesmo de seu juramento, mas da própria realidade”, disse Kinzinger em um vídeo que postou no Twitter.

Uma fonte familiarizada com a situação afirmou que o esforço da 25ª Emenda dificilmente chegaria a algum lugar. A maioria dos republicanos no Congresso mostrou pouco interesse em pressionar o gabinete a agir dessa maneira.

Trump prometeu em um comunicado matinal uma “transição ordenada” antes da posse de Biden, em parte para evitar que mais funcionários saiam. No entanto, Trump continuou a repetir, falsamente, que a eleição foi roubada dele.

Trump também não condenou a violência que se desenrolou depois que ele encorajou seus apoiadores a marcharem até o Capitólio, apesar dos apelos de membros seniores de seu governo.

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