Dólar tem queda ante real nesta 6ª, mas caminha para fechar 1ª semana do ano em forte alta
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Dólar tem queda ante real nesta 6ª, mas caminha para fechar 1ª semana do ano em forte alta

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar era negociado em queda contra o real na manhã desta sexta-feira, devolvendo parte dos fortes ganhos registrados na última sessão e caminhando para fechar a primeira semana de 2021 em alta de mais de 3%, com os investidores de olho na política norte-americana e no processo de vacinação contra a Covid-19 no Brasil.

Às 10:23, o dólar recuava 0,77%, a 5,3584 reais na venda, caminhando para alta semanal de cerca de 3,4%, enquanto o dólar futuro negociado na B3 perdia 0,81%, a 5,371 reais.

No exterior, peso mexicano, rand sul-africano e dólar australiano, alguns dos principais pares do real, operavam em alta contra o dólar, em sinal do maior apetite por risco entre os investidores globais.

“O otimismo com a política americana após o presidente eleito Joe Biden, que conquistou maioria no Congresso, ser confirmado pelo Legislativo e a consequente percepção pelos investidores de que novos estímulos econômicos deverão ser aprovados pelo país animam os mercados”, disse em nota Ricardo Gomes da Silva Filho, da Correparti Corretora.

Horas depois de centenas de apoiadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, invadirem o prédio do Congresso dos EUA em um ataque à democracia do país, parlamentares abalados certificaram formalmente na quinta-feira a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais de novembro.

Diante do caos violento visto em Washington, Trump mudou seu discurso e passou a defender uma transição de poder tranquila e ordeira, depois de ter convocado seus apoiadores a marcharem até o Congresso em um comício em frente à Casa Branca na quarta-feira.

“Vale ressaltar que a fala do republicano reduz incertezas sobre potenciais agitações nos últimos dias de seu mandato”, escreveram analistas da XP Investimentos.

Agora, o foco passa para as perspectivas de mais auxílio na maior economia do mundo sob um governo de maioria democrata, depois que o partido de Biden conquistou duas cadeiras cruciais no Senado norte-americano.

Enquanto isso, no Brasil, o foco continuava na pauta da imunização da população contra a Covid-19, depois que o Instituto Butantan informou na quinta-feira que a CoronaVac, potencial vacina do laboratório chinês Sinovac, tem eficácia de 100% na prevenção de casos graves da doença tanto em jovens quanto em idosos.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que toda a produção da CoronaVac pelo Instituto Butantan será incorporada ao plano nacional de imunização e distribuída de forma igualitária aos Estados, na melhor hipótese, a partir de 20 de janeiro.

A inoculação generalizada da população, não só no Brasil mas no mundo inteiro, é vista como essencial para a recuperação econômica diante da crise causada pela pandemia.

Apesar das esperanças em relação à vacina, o Brasil segue atrasado na imunização de seus cidadãos em comparação com outros vizinhos latino-americanos, em meio à disseminação persistente do coronavírus, enquanto a incerteza fiscal e política continua sendo apontada por especialistas como fator de risco para os mercados domésticos.

O principal temor dos investidores no momento é de que o governo fure seu teto de gastos em 2021 de forma a financiar mais medidas de assistência social com um Orçamento apertado.

“(…) Na economia brasileira, o número de casos de Covid-19 continua acelerando e aumentando o receio de que novos estímulos fiscais possam ser implementados”, disse a XP.

Na véspera, o dólar à vista teve alta de 1,82%, a 5,3999 reais na venda. No ano passado, a moeda norte-americana teve ganho acumulado de 29,37%.

O Banco Central fará nesta sessão leilão de swap tradicional para rolagem de até 16 mil contratos com vencimento em maio e setembro de 2021.

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