Saúde e Fiocruz avaliam uso de dose única da vacina de Oxford
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Saúde e Fiocruz avaliam uso de dose única da vacina de Oxford

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Tida como principal aposta do governo para imunização contra a Covid, a vacina de Oxford deve ser aplicada, assim que receber aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), com intervalo de três meses entre as duas doses.

Representantes do Ministério da Saúde e da Fiocruz, no entanto, já veem possibilidade de avaliar o uso de dose única caso necessário nos próximos meses.

Segundo a reportagem apurou, a medida é tida como possível alternativa para vacinar mais pessoas em menos tempo, a depender da quantidade de doses disponíveis e da evolução da epidemia da Covid-19.

Por enquanto, a previsão é usar o intervalo de três meses assim que a vacina for aprovada, o que já garantiria imunizar um número grande de pessoas até que haja oferta da dose seguinte. O prazo é semelhante ao adotado no Reino Unido.

Desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca, a vacina terá doses produzidas no Brasil pela Fiocruz, que mantém um laboratório no Rio de Janeiro.

Pelos dados de estudos mais recentes, a vacina registrou, com uma dose, 73% de eficácia, “além de proteger contra o surgimento de sintomas graves e evitar, em 100%, os casos de hospitalização”.

Já quando aplicada uma segunda dose após três meses, a produção de anticorpos e resposta imunológica aumenta em cerca de oito vezes, diz a Fiocruz.

Os dados são de nota divulgada pela fundação nesta sexta (8), data em que a instituição enviou à Anvisa pedido de uso emergencial de 2 milhões de doses da vacina, as quais devem ser importadas da Índia.

A possibilidade de uso de apenas uma dose da vacina de Oxford foi aventada pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello em entrevista coletiva nesta quinta (7), ao comentar os dados de eficácia do imunizante.

“A AstraZeneca é uma dose por pessoa, com cerca de 71% [73%] de eficácia para uma dose, para o controle da pandemia. A segunda dose vai a 100% em qualquer caso, podendo tomar de três a quatro meses depois, se for necessário para o controle da pandemia ainda”, disse.

No encontro, ele frisou a previsão da Fiocruz de ter 102,4 milhões de doses no primeiro semestre e 110 milhões no segundo. “Se ficarmos com uma dose, nosso país tem 210 milhões de habitantes. Façam o cálculo”, disse, citando o que apontou como vantagens do imunizante frente a outras vacinas.

Pazuello, porém, não deixou claro se a medida já era avaliada e deixou o encontro sem responder perguntas da imprensa. Ao mencionar a previsão de custos da vacina, no entanto, ele apontou cálculos que envolveriam apenas uma dose.

Segundo membros da pasta ouvidos pela reportagem, embora a previsão seja de aplicação de duas doses, outros cenários também devem ser analisados.

Questionada após a entrevista coletiva desta quinta (7), a Fiocruz informou que a definição do regime de doses cabe ao Programa Nacional de Imunizações.

Para o vice-presidente de inovações da instituição, Marco Krieger, a possibilidade de debater o tema é natural.

“Com uma dose, já tem uma eficácia grande. Os dados clínicos mostram que aumenta em mais de sete vezes o título de anticorpos com uma segunda dose, que é o reforço. Mas todo mundo discute isso no mundo: se não vale apenas usar só uma dose. Por enquanto, na bula, no Reino Unido e no Brasil, estamos falando em uma dose e reforço após três meses. Mas é possível que essa situação evolua, não só no Brasil, porque é uma situação de emergência”, disse.

Para Krieger, no entanto, o intervalo de três meses para reforço, verificado nos estudos mais recentes, já traz vantagens ao permitir “vacinar mais rápido e muito mais gente” do que com outros intervalos.

Em nota divulgada logo após anunciar o pedido de uso emergencial da vacina, a Fiocruz informou ainda que “a vacina é capaz de induzir a produção de anticorpos em 98% das pessoas após a primeira dose e, em 99% delas, após a segunda dose, o que demonstra a alta taxa de soroconversão”.

Questionado oficialmente pela reportagem, o Ministério da Saúde informou que “analisa todos os cenários para garantir uma vacinação com qualidade, segurança e eficácia para população brasileira”.

“Os estudos disponíveis ainda não chegaram a uma conclusão definitiva se apenas uma dose é suficiente para manter a longo prazo o grau de imunidade. Por isso, a pasta permanece acompanhando de perto as análises que são construídas diariamente para avaliar as estratégias de imunização e o intervalo de aplicação”, informa.

Até que isso ocorra, a pasta diz ainda que irá seguir as orientações dos laboratórios produtores quanto a aplicação das doses das vacinas.

“É importante deixar claro que o fato de uma dose apresentar boa eficácia não significa necessariamente que não se deva aplicar a segunda dose. Reforçamos que essa determinação será seguida conforme a bula das vacinas.”

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