Prefeitos são recebidos com incêndio, inundação e até apagão cibernético
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Prefeitos são recebidos com incêndio, inundação e até apagão cibernético

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CAMPINAS, SP (FOLHAPRESS) – A primeira semana dos novos prefeitos que assumiram o Executivo municipal em 1º de janeiro foi marcada por contratempos em pequenas cidades pelo país.

As heranças deixadas pelos antecessores incluem documentos queimados, dados apagados, salas sem chaves e senhas de redes sociais das prefeituras alteradas.

Um ex-prefeito em Sergipe é suspeito de ter participado de um incêndio criminoso a sede da prefeitura. Em Baía Formosa (RN), a prefeita eleita derrubou a marretadas uma obra não concluída pelo seu antecessor.

Na cidade de Messias (AL), o novo prefeito descobriu uma porta secreta com uma saída pelos fundos do prédio da prefeitura.

Confira os casos de perrengues enfrentados pelos novos prefeitos.

EX-PREFEITO É SUSPEITO DE INCENDIAR PRÉDIO

Em Itabi (134 km de Aracaju), Manoel Oliveira Silva, conhecido como Mané do Povo (PSD), passou o cargo simbolicamente para o seu sucessor Júnior de Amynthas (DEM) no dia 1º de janeiro, mas não entregou as chaves da prefeitura.

No dia seguinte, houve um incêndio na sede, no qual forma queimados documentos e cópias de contratos. Vídeos mostram o ex-prefeito deixando o prédio, sob vaias da população, momentos após o incêndio ter acontecido.

Ele foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos. A Polícia Civil de Sergipe só vai se manifestar após o término das investigações. O Tribunal de Contas do Estado de Sergipe enviou auditores fiscais para inspecionar toda a movimentação financeira da administração no segundo semestre de 2020.

O prédio segue lacrado, e o atual prefeito despacha da Secretaria de Educação. A reportagem não conseguiu contato com Silva para comentar o caso.

PASSAGEM SECRETA FECHADA

Em Messias, cidade da região metropolitana de Maceió, o prefeito eleito Marcos José Herculano da Silva (PTB) descobriu uma porta secreta que ficava nos fundos do prédio da prefeitura.

A saída seria supostamente usada pelo antecessor para deixar o local sem que a população o avistasse.

“Prefeito é empregado do povo. Tem que atender as necessidades da população, e não usar uma porta como rota de fuga para não exercer sua função”, disse, durante transmissão ao vivo nas redes sociais no dia que ele mesmo assentou os tijolos para lacrar a porta.

OBRA DERRUBADA A MARRETADAS

Em Baía Formosa (a 63km de Natal), a prefeita eleita Camila Melo (Republicanos) também colocou a mão na massa, mas para derrubar as obras de uma praça na região central da cidade.

“É uma obra inacabada na entrada da cidade, que prejudicaria a mobilidade urbana e também o turismo. Ela não estava em andamento”, argumentou a prefeita. Acompanhada de apoiadores, ela usou uma marreta para derrubar a estrutura. Uma retroescavadeira foi usada para concluir o serviço.

A verba para a obra, de R$ 223 mil, veio do Ministério do Turismo. A pasta informou que entrou com pedido de representação para que a Polícia Federal instaure inquérito para apurar o dano ao patrimônio da União.

A prefeita afirma que aproximadamente R$ 4 mil já foram gastos na obra, e que todo o dinheiro será devolvido ao ministério.

RISCO DE DESABAMENTO

O prefeito de Serra Preta (170km de Salvador), Franklin Leite (DEM), assumiu o cargo, mas não pode despachar da prefeitura. Isso porque foi constatado risco de desabamento do prédio.

“Recebi um parecer prévio que apontava 90% de necessidade de demolir o prédio por falta de viabilidade de recuperação”, afirmou o prefeito. Diante da situação, o departamento jurídico da prefeitura acionou o Ministério Público estadual.

Além do risco de desabamento, Leite teve que comprar, do próprio bolso, lençóis para o hospital municipal. Segundo ele, o antecessor não deixou nenhuma compra programada de itens básicos. Até garrafas de café, talheres e vassouras tiveram que ser compradas pelo novo chefe do Executivo.

O ex-prefeito Rogério Serafim de Souza (Podemos) foi procurado pela reportagem para comentar o caso, mas não respondeu as mensagens.

SISTEMAS APAGADOS E REDES SOCIAIS SEM SENHA

Em Itanagra (93 km de Salvador), o prefeito Marcus Sarmento (PP) descobriu que os discos rígidos de todos os computadores da prefeitura foram levados, e todos os sistemas, apagados.

“Não tenho nem como fazer folha de pagamento. É praticamente recomeçar a prefeitura do zero, partir do nada”, afirmou. As senhas das redes sociais oficiais da prefeitura também não foram repassadas.

Sarmento ainda afirma que a ex-prefeita Dania Maria (PT) ainda demitiu os médicos que trabalhavam nos postos de saúde, devolveu ambulâncias que eram alugadas, rompeu contrato com a empresa que fazia coleta de lixo e ainda deletou dados das famílias cadastradas no Bolsa Família.

A reportagem tentou localizar a ex-prefeita, mas não obteve sucesso. As páginas nas redes sociais de Dania foram apagadas.

TORNEIRAS ABERTAS E PREFEITURA ALAGADA

Em Macambira (74km de Aracaju), o prefeito eleito Carivaldo Souza (PP) disse que, quando chegou para trabalhar na prefeitura, encontrou o prédio alagado.

As torneiras estavam abertas e causaram danos na estrutura do prédio. A água também atingiu documentos e materiais de trabalho. Além disso, produtos de limpeza teriam sido derrubados em cima de documentos no almoxarifado e na Secretaria de Obras.

CHUVA DE PAPEL PICADO

Em Louveira (70 km de São Paulo), o Estanislau Steck (PSD) encontrou sacos e mais sacos de lixo com papel picado ao chegar na sede da prefeitura.

“Parecia fim de guerra. Deixaram restos de papéis rasgados e picados. Saíram correndo e nem fecharam as portas”, afirmou.

Uma sindicância interna foi aberta para apurar quais documentos foram descartados.

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