Lira tenta se descolar de Bolsonaro e insinua que postura de Maia é projeto para 2022
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Lira tenta se descolar de Bolsonaro e insinua que postura de Maia é projeto para 2022

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Na tentativa de atrair votos no centro e na esquerda, o líder do bloco do centrão, Arthur Lira (PP-AL), tentou nesta segunda-feira (11) se descolar de seu principal cabo eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro, e fez uma série de críticas indiretas ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Em entrevista coletiva à imprensa, promovida na capital federal, o candidato de Bolsonaro à sucessão de Maia ressaltou mais de uma vez que não tem “chefe” ou “patrão” e afirmou que não é possível que a Casa tenha um presidente que faça “oposição ao Brasil” pensando em 2022.

“Não há presidente da Câmara que seja líder do governo, porque ele não comanda aquele plenário. Mas também não é possível que a gente tenha um presidente fazendo oposição ao Brasil com projetos pensando em 2002. Já deixo claro: o meu partido não tem projeto em 2022”, afirmou.

O líder do centrão disse ainda que não é correto que o presidente da Casa opine sobre todas as iniciativas do Poder Executivo e ressaltou que cabe ao chefe do Legislativo expressar o “pensamento médio dos partidos e dos líderes”, postura que adotará caso seja eleito.

“Se criou uma distorção do modelo posto hoje. Em todos os atos praticados no Executivo, já colocamos o microfone na boca do chefe da Casa. Não é correto. O que eu posso é falar do pensamento médio dos partidos e dos líderes daquela Casa. A Câmara vai se comportar desse jeito”, afirmou.

Nos últimos dias, Maia tem feito críticas duras a Bolsonaro. O presidente da Câmara chamou o chefe do Executivo de “covarde” e o culpou pelas 200 mil mortes no país pelo novo coronavírus, marca atingida na semana passada.

“O presidente falará o que os deputados pensam, não o que ele acha. A minha função será representar os deputados”, disse Lira.

O líder do centrão também disse que Maia não tem dialogado com ele desde outubro e criticou o que chamou de decisões monocráticas sobre a eleição da Câmara, como a ideia de fazer uma votação virtual ou marcar o pleito para o dia 2 de fevereiro.

“Não pode ser feito monocraticamente. A mesa tem de decidir. O que acaba é que, com essas decisões, o Rodrigo pode perder a imparcialidade de conduzir a eleição. Porque quem vai conduzir é ele. Quando o presidente começa a agir muito parcialmente, ele perde a condição de conduzir o processo”, afirmou.

O candidato de Bolsonaro ressaltou ainda que o presidente da Casa não pode gerar na sociedade interrogações, mudando de opinião a cada hora do dia, e que a pauta de votações precisa ser transparente. E afirmou que o candidato de Maia, o deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), é tão base do governo como ele.

“O outro candidato é tão base de governo como eu. As duas são da base do governo. O que me diferencia é que sou afirmativo, reto e franco. Não tenho dono, não tenho patrão e não ando tutelado por ninguém”, disse.

Em um aceno ao PT, Lira disse ainda que, caso seja eleito, cumprirá o princípio da proporcionalidade partidária, como na nomeação de relatorias em comissões legislativas. A questão foi uma das exigências do partido para apoiar a candidatura de Baleia, já que o PT é hoje a maior bancada da Casa.

O candidato do governo ressaltou ainda que seu objetivo, caso seja eleito, é votar com prioridade a PEC Emergencial. E, na sequência, a reforma administrativa, do ministro da Economia, Paulo Guedes. Lira ressaltou ainda que, só depois da votação da administrativa, pretende pautar a reforma tributária, “que é muito mais complexa”.

O líder do centrão afirmou ainda que não irá levar em conta suas opiniões pessoais nas decisões de pautar projetos para votação. Em 2019, por exemplo, Lira disse que a pauta de costumes não deveria ser prioritária, mas indicou a deputados bolsonaristas que pautará iniciativas sobre a questão caso elas tenham apoio.

“A gente tem de separar o que o deputado federal Arthur Lira pensa e o que vamos fazer. Eu não vou engavetar projeto sobre o qual eu não concorde e não vou pautar projeto que eu ache correto. É não ter preconceito com nenhuma pauta”, afirmou.

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