Após disputa acirrada, Lasso afirma que acolherá bandeiras da esquerda no 2º turno no Equador
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Após disputa acirrada, Lasso afirma que acolherá bandeiras da esquerda no 2º turno no Equador

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BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – Em sua primeira entrevista a veículos estrangeiros depois de ter seu nome confirmado na disputa pelo segundo turno no Equador, o candidato de centro-direita Guillermo Lasso, 65, afirmou que encampará as bandeiras de “preservação do ambiente, de defesa dos direitos de minorias e das mulheres, que não estavam antes em um primeiro plano”.

“Eu ouvi as urnas no último dia 7 de fevereiro e vi que a preocupação dos equatorianos, principalmente dos jovens, com relação a esses assuntos, é muito grande. E, portanto, como candidato no segundo turno, é meu dever incorporá-los”, afirmou, em videoconferência da qual a reportagem fez parte, com jornalistas britânicos e colombianos.

Lasso disputará a Presidência do Equador no segundo turno no dia 11 de abril contra o candidato de esquerda Andrés Arauz, aliado do ex-mandatário Rafael Correa (2007-2017).

O país ficou em compasso de espera por duas semanas até a conclusão da apuração de 100% das urnas, neste domingo (21). Arauz somou 32,7% dos votos e Lasso teve 19,74%.

Em terceiro, e portanto fora da disputa, ficou o líder indígena de esquerda Yaku Pérez, com 19,38%.

Esta é terceira tentativa de Lasso de ser presidente do país. Em 2017, perdeu no segundo turno por uma diferença de pouco mais de 1% dos votos e contestou a contagem, levando seus apoiadores a protestar por vários dias diante da sede do CNE (Conselho Nacional Eleitoral).

Ex-presidente-executivo do Banco Guayaquil, Lasso foi também governador da província de Guayas e ministro da economia e da energia. É de Guayaquil, coração econômico do país, diferentemente de Arauz, que é de Quito, capital política.

Questionado pela reportagem sobre como o Equador se posicionaria com relação aos vizinhos da região, que têm voltado a eleger presidentes de esquerda, como a Argentina, o México e a Bolívia, Lasso disse que “todo líder da região será tratado com igual respeito”. “As minhas preferências pessoais deixam de existir se passo a exercer essa função”, completou.

Na época da eleição argentina, em 2019, Lasso afirmou apoiar a reeleição de Mauricio Macri, com quem tem uma relação próxima. “Não nego isso, mas quem eu prefiro pessoalmente não irá interferir em nada, quero ter a melhor relação possível com Alberto Fernández, se for eleito.”

Sobre a contestação do resultado final do primeiro turno, realizado pelo terceiro colocado, Lasso afirmou que a discussão “já não cabe mais” e que é necessário olhar para a frente. “Toda a contestação é possível, mas apenas até o pronunciamento do órgão eleitoral. Agora já não cabe mais ao senhor Pérez fazer contestações.”

O banqueiro afirmou, ainda, não temer um levante por parte das lideranças indígenas porque tem apoio de várias organizações e sindicatos desse setor da sociedade. “Estou aprofundando esse esforço, para manter a paz no processo eleitoral”, afirmou.

Apesar da troca de farpas nas últimas semanas e de controvérsias sobre pedidos de recontagem de votos, Lasso diz que espera que Pérez o apoie. “O povo equatoriano está cansado dessa polarização, e não pode mais voltar a optar pelo correísmo. Nesse sentido, creio que há um espaço de diálogo com Pérez.”

Indagado sobre o possível estigma pelo fato de ser banqueiro, Lasso respondeu que trabalha desde os 14 anos e que “trabalhar com um banco é como qualquer trabalho”. “E uma vez que me dediquei à vida pública, as coisas iam em diferentes vias, nunca misturei vida privada com vida pública.”

Segundo ele, na situação de crise que o país vive, com dívidas e recessão, seu histórico é um atrativo para sua candidatura. “Eu conheço os investidores e quem possa ter interesse em investir no Equador, e vou saber trazê-los para cá.”

Diferentemente de seu opositor, Arauz, que afirmou querer rever e, possivelmente, não pagar a dívida com o FMI (Fundo Monetário Internacional), Lasso afirmou que isso não está em cogitação. “Temos de ter uma relação frutífera com o fundo, aprender a trabalhar com ele e não enfrentá-lo.”

A dívida com o FMI é US$ 6,5 bilhões (R$ 35 bilhões), e o país registrou em 2020 uma queda do PIB de nove pontos percentuais.

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