Taxas sobem com troca de comando na Petrobras e apostas de alta na Selic
Economia

Taxas sobem com troca de comando na Petrobras e apostas de alta na Selic

portalmixvalenoticias-1280x728-1

Os juros futuros fecharam o dia em alta consistente, mas longe das máximas atingidas pela manhã em reação à decisão do presidente Jair Bolsonaro de trocar o comando da Petrobras. O clima segue sendo de muita incerteza sobre uma guinada populista do governo que ameace a agenda liberal do ministro Paulo Guedes, mas os agentes encontraram à tarde algum consolo nas declarações do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em defesa da retomada da agenda das reformas, publicadas em sua conta no Twitter.

O dólar reduziu sua força ante o real e também à tarde o mercado conseguiu olhar com mais atenção para o conteúdo da minuta da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para destravar o auxílio emergencial, que surpreendeu positivamente. De todo modo, houve ganho importante de inclinação nesta segunda-feira, embora as taxas curtas tenham avançado com aumento das apostas de que o Copom terá de iniciar o ciclo de aperto monetário de maneira mais firme já em março, com elevação da Selic em 0,5 ponto porcentual. Não somente pela piora do risco fiscal mas também nova deterioração das estimativas de inflação e Selic trazidas pela pesquisa Focus.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 encerrou em 3,53% (regular e estendida), de 3,442% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2025 passou de 6,725% para 6,92% (regular) e 6,93% (estendida), tendo superado 7% nas máximas da manhã. A taxa do DI para janeiro de 2027 fechou a regular e a estendida em 7,57%, de 7,374% no ajuste anterior, com máxima de 7,72%.

A forte inclinação da curva refletiu ordens de stop loss e fundos ajustando o tamanho de suas posições. Além de ter indicado o general Joaquim Luna e Silva para o lugar de Roberto Castello Branco no comando da Petrobras, Bolsonaro sinalizou mais mudanças, prometendo “meter o dedo na energia elétrica”.

Com os ajustes mais pesados sendo feito nas primeiras horas de negócios, à tarde houve um respiro, com o mercado se apegando às declarações pró-reformas de Arthur Lira, estabelecendo um calendário de votações, para ainda seguir acreditando na agenda liberal. Segundo Lira, em março começa a tramitar a Reforma Administrativa na Câmara, com previsão de aprovação em plenário “antes do fim do primeiro trimestre”. A PEC Emergencial/Pacto Federativo, com cláusula de calamidade tem votação prevista para quinta-feira no Senado, disse.

A ponta curta foi alvo do reforço das apostas de aumento para a Selic em março e em maio, trazido pelo intervencionismo do governo após Bolsonaro reclamar dos preços dos combustíveis e também pelo “aumento da inflação de curto prazo”, disse o trader de renda fixa da Terra Investimentos Paulo Nepomuceno. “O BC está atrás da curva e por isso vai ter de abrir o processo já com aperto de 0,5 ponto para tentar desinclinar um pouco a curva e evitar um ciclo muito longo”, avaliou. Ele lembra que a Focus já trouxe hoje mediana do IPCA em 2021 a 3,82%, de 3,62% na semana passada e agora acima do centro da meta de inflação de 3,75%. A mediana para a Selic subiu de 3,75% para 4,0%.

To Top