PESQUISA- Brasil pode ter recorde na safra de milho apesar de atraso no plantio
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PESQUISA- Brasil pode ter recorde na safra de milho apesar de atraso no plantio

Por Nayara Figueiredo

SÃO PAULO (Reuters) – Apesar dos riscos associados ao atraso na colheita da soja, a produção total de milho 2020/21 no Brasil pode atingir um recorde de 108,2 milhões de toneladas amparado pelas intenções de plantio na segunda safra impulsionado pela boa remuneração do cereal, indica pesquisa realizada pela Reuters.

De acordo com avaliações de 11 analistas, a projeção para a colheita representa um avanço de 5,54% em relação às 102,5 milhões de toneladas registradas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a temporada anterior.

A área plantada no país deve chegar a 19,44 milhões de hectares, conforme sondagem da Reuters, com avanço de cerca de 1 milhão de hectares, considerando números oficiais para a safra anterior.

“Estimamos que haverá um aumento significativo na área plantada, com potencial para mitigar os (eventuais) efeitos de quebras de produtividades sobre a produção de milho inverno em 20/21”, disse a analista de mercado da Céleres Daniely Santos, citando possíveis impactos do plantio de parte da segunda safra fora da janela climática ideal, devido ao atraso da soja.

Em uma projeção otimista, a IHS Markit vê a segunda safra do cereal em 85 milhões de toneladas, alta de 10,64%. A área é estimada em 15,5 milhões de hectares, avanço de 8,46% ante o ciclo anterior.

“O avanço de área nesta temporada é devido à remuneração muito atraente para o produtor fazer soja mais milho, mesmo que haja alguma quebra”, afirmou o analista da consultoria AgRural Adriano Gomes.

Os preços internacionais do cereal bateram máximas desde julho de 2013 em Chicago recentemente, movidos por compras chinesas do grão dos EUA, e no mercado interno segue firme a demanda para a produção de ração animal, em meio a exportações elevadas de carnes.

ATRASO VS RISCOS

Gomes disse que, historicamente, cerca de um quarto da segunda safra de milho –responsável por quase 80% da produção total do Brasil– é plantada no mês de março no centro-sul, mas nesta temporada o maior atraso pode afetar as lavouras.

“Este ano, a participação do plantio da safrinha em março será ainda maior, o quanto vai depender de como vai se comportar o clima para a colheita da soja… (mas) quanto mais o plantio avança em março, mais exposta (a riscos climáticos) fica a safra”, afirmou.

Ele disse que em Mato Grosso, por exemplo, o período ideal para semeadura do cereal de segunda safra é dentro do mês de fevereiro, assim como no oeste do Paraná. No norte paranaense e sul do Mato Grosso do Sul, a janela termina na primeira quinzena de março.

Entretanto, uma seca no início da safra de soja e chuvas excessivas durante a colheita fizeram com que os trabalhos de retirada da oleaginosa do campo atingissem o maior atraso dos últimos dez anos, de acordo com a AgRural.

Assim, o plantio do milho safrinha atingiu 24% da área prevista para o centro-sul até quinta-feira (18), ante 51% no mesmo período do ano passado.

“O produtor vai entrar com plantio mesmo depois do final da janela… Vai ter que chover de abril a maio em todo o centro-sul do Brasil e torcer para não ter uma geada em junho”, afirmou Gomes.

O analista de mercado da IHS Markit Vitor Belasco considera ainda que a semeadura do cereal pode se estender até abril, o que jogaria a colheita para até a primeira semana de setembro e “entrando naquela zona de perigo para as condições climáticas que começam na segunda quinzena de agosto”, disse, sobre o risco de frio excessivo.

O agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antonio Santos, acredita que pelo menos 40% do milho “safrinha” será plantado depois do dia 5 de março. “Se isso for verdade, todos os produtores teriam que ter muita chuva no final de abril, início de maio, algo que eu não acho que vá acontecer”, afirmou.

Para ele, os Estados que podem sofrer mais com falta de chuvas neste período são Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Tocantins. Por outro lado, importantes produtores como Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo podem ser beneficiados pelo clima, contrabalançando, em parte, o cenário nacional.

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