No Dia da Mulher, peça de Lenise Pinheiro sobre Cacilda Becker tem estreia virtual
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No Dia da Mulher, peça de Lenise Pinheiro sobre Cacilda Becker tem estreia virtual

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Para quem precisa sobreviver nessa coisa instável e movediça”, diz a diretora Lenise Pinheiro, “nada melhor do que se inspirar em Cacilda Becker”.

A atriz, um dos principais nomes do teatro brasileiro e cujo centenário é comemorado em abril deste ano, é o cerne de “Viva Cacilda! Felicidade Guerreira!”, segunda peça dirigida por Pinheiro, que estreia virtualmente nesta segunda-feira (8), quando se comemora o Dia Internacional da Mulher.

“Fotografo teatro há quase 40 anos, e a Cacilda sempre foi motivação, argumento e tema recorrente”, diz a diretora, que também mantém um blog na Folha que leva o nome da atriz.

O monólogo, interpretado pela atriz Isabella Lemos e apresentado pelo Coletivo Takamakina de Teatro, foi feito a partir do texto de “Cacilda!”, de 1998, escrito por José Celso Martinez Corrêa.

Lenise Pinheiro conta que tem intimidade com a peça de Zé Celso, da qual decorou muitos trechos ao longo dos anos. Para ela, o processo foi se valer da trilha que ele já havia concebido nos anos 1990 para criar a nova montagem, que enfatiza o “envolvimento político e questões femininas” da grande atriz do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e fundadora do Teatro Cacilda Becker (TCB).

Depois dos ensaios, que aconteceram na casa da protagonista, Lenise Pinheiro não participou da gravação da peça presencialmente no Teatro do Pequeno Ato, em São Paulo. “Continuei em isolamento, mas minha equipe me salvou com o celular ligado, às vezes até com planos diferentes”, conta.

Com cerca de uma hora, o espetáculo foi gravado de uma só vez, e a própria diretora o chama de “cineteatro”.

“Se você me perguntar por que você está se comunicando através dessa forma, toda a questão que envolve a Cacilda Becker parece que dá muito sentido a isso”, afirma. “Ela me parecia conseguir falar com todas as gentes, e, nesse momento, tenho tentado estabelecer diálogos de peito aberto.”

Mesmo com a ausência de público nos teatros na maior parte do tempo deste último ano de pandemia, ela acredita que o distanciamento trouxe força à movimentação artística, embora fracionada nas apresentações virtuais.

Estão nessa nova montagem e chamam a atenção da diretora as escolhas que a Cacilda fez de se cercar de mulheres, das amigas e a força que a mãe tinha em sua trajetória. “A grandiosidade dessas relações e a força que a mulher tem mostram e despertam uma consciência que, na época, talvez nem fossem tão femininas.”

A visão da atriz de Pirassununga, que morreu em 1969, está em uma carta que escreve ao filho, lida no monólogo, em que ela critica as pessoas de sua época e legitima o então chamado desquite.

O papel central das figuras femininas também é reforçado nos vários nomes de artistas citados e homenageados por Isabella Lemos –como Consuelo de Castro, Bia Lessa, Leilah Assumpção e Maria Clara Machado.

A diretora também incorpora à obra virtual imagens de seu acervo de fotografias –algumas das fotos que aparecem na montagem são inéditas, feitas no início dos anos 1990 no apartamento de Cacilda, na avenida Paulista.

VIVA CACILDA! FELICIDADE GUERREIRA!

Quando: Até 13 de março, às 19h

Onde: No YouTube

Preço: Grátis

Classificação: 16 anos

Elenco: Isabella Lemos

Direção: Lenise Pinheiro

Duração: 55 min.

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