Economia

Dívida pública federal sobe 2,75% em fevereiro com emissão recorde para o mês, diz Tesouro

Dívida pública federal sobe 2,75% em fevereiro com emissão recorde para o mês, diz Tesouro

A dívida pública federal do Brasil cresceu 2,75% em fevereiro sobre janeiro, a 5,199 trilhões de reais, com um emissão de títulos recorde para o mês, informou o Tesouro Nacional nesta quarta-feira.

No mês, a dívida pública mobiliária interna teve avanço de 2,68%, a 4,951 trilhões de reais, enquanto a dívida externa aumentou 4,22%, para 247,93 bilhões de reais.

Em relatório, o Tesouro informou que sua reserva de liquidez fechou o mês em 933,22 bilhões de reais, ante 805,68 bilhões de reais em janeiro, refletindo principalmente o efeito da emissão líquida em fevereiro, que foi de 111,51 bilhões de reais — terceiro maior volume da série histórica, depois dos meses de novembro e dezembro de 2020.

A emissão líquida resultou de emissões totais de 178 bilhões de reais e resgates de 66,5 bilhões de reais.

“Essas emissões foram concentradas basicamente em prefixados nos leilões tradicionais e em taxa flutuante nos leilões de rolagem antecipada de LFT”, disse o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Luiz Felipe Vital.

Em nota, o Tesouro destacou que fevereiro foi marcado por piora na percepção de risco de emergentes e pela cautela com o cenário fiscal doméstico.

Em relação à composição, os títulos que variam com a Selic, representados pelas LFTs, continuaram com maior peso na dívida pública federal, mas diminuíram essa fatia a 34,82% do total, abaixo dos 35,30% de janeiro.

Já os títulos prefixados, que dão mais previsibilidade à gestão da dívida, avançaram a 34,36% da dívida, ante 33,75% no mês anterior.

Os papéis indexados à inflação, por sua vez, mostraram pouca alteração, respondendo por 25,78% da dívida total, ante 25,98% em janeiro.

Em relação aos detentores, a participação dos investidores estrangeiros na dívida mobiliária interna aumentou ligeiramente para 9,43% em fevereiro, sobre 9,27% no mês anterior.

MARÇO

Ao comentar a conjuntura macroeconômica de março, Vital afirmou que, apesar de o mês ter iniciado sob um cenário “mais misto”, a situação deteriorou-se ao longo do período. Ele disse que o mercado dos títulos dos Estados Unidos (Treasuries) continua “bastante volátil”, influenciando o preço de outros ativos.

“Também tivemos diversos países relatando impactos da pandemia em suas economias, e isso, de forma geral, também gera um cenário externo mais negativo, uma percepção de risco pior para emergentes. O Brasil performou bastante em linha com seus pares.”

Analisando a variação da curva de juros locais, Vital pontuou que ela ganhou nível, deslocando-se para cima. “Nos prazos mais curtos, isso se deve aos ajustes referentes a mudanças na política monetária, e nos prazos mais longo, se deve não só ao cenário externo mais negativo mas também a discussões sobre trajetória fiscal”, explicou.

Ele, no entanto, classificou como “bastante positiva” a aprovação da PEC Emergencial, promulgada pelo Congresso Nacional neste mês, “que reforça bastante o nosso arcabouço de regras fiscais vigente”.

(Por Isabel Versiani e Gabriel Ponte)

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