Déficit comercial dos EUA atinge máxima recorde em março
Economia

Déficit comercial dos EUA atinge máxima recorde em março

Déficit comercial dos EUA atinge máxima recorde em março

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) – O déficit comercial dos Estados Unidos saltou para uma máxima recorde em março em meio ao aumento da demanda doméstica, que está atraindo importações, e a diferença pode aumentar ainda mais conforme a atividade econômica do país se recupera mais rápido do que a de outras nações.

O pacote de alívio da pandemia de 1,9 trilhão de dólares e a ampliação da campanha de vacinação contra a Covid-19 para todos os adultos norte-americanos levaram a um aumento na demanda, em meio a restrições de oferta. A atividade econômica também está sendo impulsionada pela postura ultraflexível do Federal Reserve sobre a política monetária.

Os fabricantes não têm a capacidade para atender ao aumento da demanda e os estoques estão muito enxutos, forçando as empresas a importar mais mercadorias. A demanda durante a pandemia também se deslocou para de serviços para bens, com os norte-americanos confinados em casa.

O déficit comercial aumentou 5,6%, para uma máxima recorde de 74,4 bilhões de dólares em março, informou o Departamento do Comércio nesta terça-feira. O déficit comercial ficou em linha com as expectativas de economistas.

As importações subiram 6,3%, atingindo o recorde de 274,5 bilhões de dólares em março. As importações de mercadorias subiram 7,0% para 234,4 bilhões de dólares, também uma alta recorde. As importações de bens de consumo foram as mais altas já registradas, assim como as de alimentos e bens de capital. O país importou uma variedade de bens, incluindo roupas, móveis, brinquedos, semicondutores, veículos, produtos petrolíferos e equipamento de telecomunicações.

Mas as importações de aviões civis e celulares caíram.

As exportações aumentaram 6,6% para 200,0 bilhões de dólares. As exportações de bens saltaram 8,9%, para 142,9 bilhões de dólares. Foram lideradas por suprimentos e materiais industriais, bens de capital e de consumo. A pandemia continuou a ser um entrave às exportações de serviços, especialmente as viagens. Com 17,1 bilhões de dólares em março, o superávit de serviços foi o menor desde agosto de 2012.

Quando ajustado pela inflação, o déficit comercial de bens subiu de 4,2 bilhões de dólares, para um recorde de 103,1 bilhões de dólares em março. A deterioração do déficit comercial foi sinalizada em um relatório prévio publicado na semana passada.

Apesar do déficit comercial mais amplo, a economia cresceu a uma taxa anualizada de 6,4% no primeiro trimestre, o segundo maior ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) desde o terceiro trimestre de 2003, impulsionado pela demanda interna reprimida. Isso seguiu-se a um ritmo de crescimento de 4,3% no quarto trimestre.

A maioria dos economistas espera um crescimento do PIB de dois dígitos neste trimestre, o que posicionaria a economia para alcançar um crescimento de pelo menos 7%, que seria o mais rápido desde 1984. A economia contraiu 3,5% em 2020, o seu pior desempenho em 74 anos.

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