Com crise hídrica, governo reforça campanha sobre consumo consciente de energia
Economia

Com crise hídrica, governo reforça campanha sobre consumo consciente de energia

Com crise hídrica, governo reforça campanha sobre consumo consciente de energia

SÃO PAULO (Reuters) – O governo do presidente Jair Bolsonaro reforçou nos últimos dias uma campanha que pede “consumo consciente” de energia e água aos brasileiros, em movimento que ocorre diante de uma escassez histórica de chuvas que tem pressionado os reservatórios das hidrelétricas, principal fonte de geração do país.

Tanto o Ministério de Minas e Energia quanto a Casa Civil da Presidência da República divulgaram materiais publicitários sobre a iniciativa em suas redes sociais nesta sexta-feira, enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também passou a fazer divulgações recorrentes sobre o tema em seus canais online.

“O Brasil enfrenta o pior período de seca dos últimos 91 anos, principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Com isso, os reservatórios das usinas hidrelétricas estão em níveis baixos. Assim, mesmo com o fornecimento de energia garantido, devemos evitar o desperdício”, escreveu a pasta de Energia em notícia publicada em seu site.

O chefe do ministério, Bento Albuquerque, tem defendido que o governo não vê riscos de déficit de energia ou de racionamento. Mas ele admitiu que a falta de chuvas exigirá “medidas excepcionais” para atendimento à demanda, incluindo o acionamento de usinas termelétricas, mais caras, e medidas para flexibilizar condições operativas de algumas usinas hídricas.

Em meio à situação de alerta, equipes da pasta de Minas e Energia participaram na terça-feira de uma reunião no Palácio do Planalto para discutir a “conjuntura hidroenergética” com representantes da Casa Civil da Presidência da República.

Questionado sobre a campanha de consumo consciente divulgada em seu site e a reunião com a Casa Civil, o ministério disse em nota apenas que a iniciativa de mídia sobre racionalização de consumo de energia e água teve início em dezembro de 2020 e segue em curso, “tendo em vista a conjuntura hídrica e energética”.

“O objetivo da campanha é conscientizar a população acerca do baixo nível dos reservatórios e, consequentemente, incentivar a economia do consumo de água e energia, por meio de dicas práticas e fáceis de serem implementadas em qualquer residência doméstica. A campanha contempla inserções em nível nacional, em cadeia de TV, rádio e mídia, além de aeroportos, pontos de ônibus e internet”, explicou.

Antes das últimas medidas, a mais recente campanha incentivando consumo consciente de eletricidade havia sido lançada pela Aneel no final de 2017, quando os lagos das hidrelétricas do Nordeste e do Sudeste tocaram níveis mínimos históricos para a época do ano.

No governo federal, a última iniciativa nesse sentido foi lançada em 2015, ano em que também houve aperto na oferta de energia, com a campanha “Uso consciente de energia- use o bom senso”.

As novas preocupações com a oferta de energia no Brasil ocorrem 20 anos depois de o país ter enfrentado um histórico racionamento de eletricidade.

A consultoria especializada PSR disse neste mês que não vê por ora risco de falta de energia ou racionamento, mas pontuou que a situação é “preocupante” e sugeriu que o governo tomasse medidas para incentivar a população a reduzir o consumo.

Em paralelo, o Ministério de Minas e Energia iniciou conversas com representantes da indústria para avaliar um possível plano que incentive o setor a reduzir voluntariamente sua demanda durante momentos de pico de carga.

(Por Luciano Costa; edição de Nayara Figueiredo)

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