Lula e Chico Buarque assinam carta no NYT contra embargo americano a Cuba
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Lula e Chico Buarque assinam carta no NYT contra embargo americano a Cuba

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GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) – Mais de 440 ativistas, políticos, artistas e intelectuais de diferentes países assinam uma carta pública dirigida ao governo do presidente Joe Biden, que será publicada no jornal americano americano New York Times nesta sexta-feira (23). O documento critica o embargo comercial e econômico que os EUA impõem a Cuba há mais de seis décadas.

Publicado como um anúncio pago no jornal, o texto pede que Biden reverta as mais de 200 sanções levantadas por seu antecessor, o republicano Donald Trump, que recrudesceu o embargo à ilha na retórica e na prática. “Não há razão para manter as políticas de Guerra Fria que levam os EUA a tratar Cuba como um inimigo, em vez de um país vizinho”, diz um trecho.

Entre os mais de 50 signatários brasileiros estão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o cantor e compositor Chico Buarque, o ator Wagner Moura, a deputada federal Gleisi Hoffman (PT) e o frade dominicano Frei Betto. Também assinam a vereadora Monica Benício (PSOL-RJ), o integrante do movimento Entregadores Antifascistas Paulo Lima (o Galo) e o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

Na lista de nomes internacionais estão figuras como os atores americanos Mark Ruffalo e Jane Fonda; a filósofa Judith Butler; o linguista Noam Chomsky; o Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel; e o ex-presidente do Equador Rafael Correa. O ex-analista militar Daniel Ellsberg, que vazou os papéis do Pentágono na década de 1970, também é signatário.

A organização da carta aberta foi capitaneada por três organizações americanas -People’s Forum, Answer Coalition e CodePink-, as mesmas que nesta semana anunciaram o envio de 6 milhões de seringas a Cuba para ajudar na campanha de vacinação na ilha caribenha. O dinheiro para pagar pela publicação do anúncio foi doado por essas e outras organizações que assinam o documento, segundo disse à reportagem Manolo De Los Santos, codiretor da People’s Forum.

A carta será publicada um dia após o governo Biden anunciar o contrário do que é pedido pelos signatários: uma nova rodada de sanções contra o regime comunista da ilha, anunciada nesta quinta (22). A medida, ainda a ser detalhada, tem como alvos o ministro das Forças Armadas Revolucionárias, general Alvaro Lopez Miera, e uma unidade de segurança do Ministério do Interior.

A Casa Branca argumenta que as novas sanções são uma resposta às violações de direitos humanos durante a repressão aos atos registrados em Cuba há pouco mais de uma semana, em 11 de julho. “Este é apenas o começo; os EUA continuarão a punir os responsáveis pela opressão do povo cubano”, disse Biden, pouco após o anúncio das medidas.

O documento pede que, “em vez de seguir o caminho traçado por Trump em seus esforços para desfazer a abertura iniciada por [Barack] Obama”, o democrata vá além. “Retomar a abertura, iniciar o processo de encerramento do embargo e acabar com a severa escassez de alimentos e medicamentos deve ser a principal prioridade”, diz.

“Consideramos inescrupuloso, especialmente durante a pandemia, bloquear intencionalmente as remessas e o diálogo de Cuba com instituições financeiras globais, já que o acesso a dólares é necessário para a importação de comida e remédios”, diz outro trecho.

Na terça (20), a Casa Branca havia dito que o governo Biden formaria um grupo de trabalho para revisar a política de envio de remessas de dinheiro para a ilha, com a possibilidade de afrouxar a norma. Nada foi implementado por ora.

A discussão sobre o bloqueio imposto pelos americanos voltou à tona após a nova onda de protestos em Cuba -a maior desde a década de 1990. Organizações como as que assinam a carta a ser publicada no NYT argumentam que o embargo está entre as principais razões para a insatisfação que levou os cubanos às ruas para pedir políticas mais efetivas de combate à escassez de alimentos e remédios e, também, mais liberdade política.

Manolo De Los Santos diz que as organizações entendem que os protestos expressam frustrações reais e legítimas do povo cubano, mas que “foram manipulados por redes baseadas na Flória [EUA] para que fossem convertidos em atos contra o regime, e não protestos sociais”.

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