Na pandemia, público sente mais falta de ver filmes na tela do cinema, diz estudo
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Na pandemia, público sente mais falta de ver filmes na tela do cinema, diz estudo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Embora o consumo de atividades culturais pela internet deva se manter mesmo com a volta da vida normal no pós-pandemia, a maior parte do público está bastante saudosa de eventos presenciais e do convívio com outros frequentadores —especialmente se for no escurinho do cinema.

A conclusão é do levantamento Hábitos Culturais, realizado pelo Itaú Cultural em parceria com o Instituto Datafolha e divulgado nesta quinta, que aponta que ver um filme na tela grande é a atividade cultural que os entrevistados mais sentiram falta durante a pandemia.

Das 2.276 pessoas entrevistadas de 10 de maio a 9 de junho, de todas as classes sociais e nas cinco regiões do país, 67% disseram sentir saudades de ir ao cinema, em comparação com 32% para atividades artísticas e 17% para centros culturais.

A vontade de ir a eventos presenciais também é grande. Se for possível escolher entre ver um show de música ao vivo ou pela tela do computador, 62% optam por estar fisicamente numa plateia, a mesma porcentagem dos visitantes de centros culturais.

Já entre frequentadores de museus e exposições a preferência por ir até os espaços de arte é de 63%, índice só um ponto percentual abaixo de quem vai ao teatro, ao circo ou a apresentações de dança.

Mas se engana quem pensa que a qualidade do som e da imagem são os principais fatores que levam as pessoas a preferirem os eventos presenciais —esses fatores foram apontados por apenas 2% dos entrevistados.

A saudade maior é do convívio social, com 41% dos entrevistados afirmando que a interação com outras pessoas é o que mais faz falta com o fechamento das atividades culturais. Este índice era de apenas 20% no ano passado, quando a pesquisa foi realizada pela primeira vez. Além disso, 13% consideram que a carga emocional do evento é maior em atividades presenciais.

Foram entrevistados por telefone brasileiros e brasileiras de 16 a 65 anos, no levantamento que mapeou os hábitos culturais durante a pandemia e que pretende dar um indicativo do que deve acontecer a partir de agora. Só 5% dos entrevistados afirmaram que a sua participação em eventos presenciais está condicionada à vacinação.

Apesar do saudosismo, outro dado revelado pela pesquisa é o de que o consumo de produtos culturais pela internet deve seguir forte mesmo com a retomada das atividades presenciais —80% dos que assistiram a apresentações de teatro, música e dança no ambiente virtual pretendem seguir com esta prática, mesmo índice de aulas ou oficinas de arte.

A porcentagem é menor mas ainda significativa para exposições e museus (67%) e visitas virtuais a centros culturais (78%).

Muito desse hábito foi criado durante a própria pandemia, pois a pesquisa aponta para um aumento considerável do consumo de produtos culturais pela internet de 2020 para cá. Por exemplo, o índice dos que afirmaram ver apresentações de teatro, dança e música online dobrou para 40% neste ano, em relação aos 20% do ano passado.

Os podcasts também explodiram, com um salto de 15 pontos percentuais do ano passado para este. Já visitas online a exposições e museus recuaram —16% diziam realizar esse tipo de atividade em 2020, e este ano apenas 11%.

Se a pandemia é dura, a cultura ajuda a mitigar seus efeitos negativos na saúde mental, aponta o estudo. Para 48% dos que realizaram ao menos uma atividade cultural ao longo dos últimos 12 meses, a iniciativa diminuiu o estresse, e 51% relataram diminuição da sensação de tristeza. ​

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