Próximo leilão de petróleo sob concessão do Brasil tem menor número de inscritos da história
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Próximo leilão de petróleo sob concessão do Brasil tem menor número de inscritos da história

Próximo leilão de petróleo sob concessão do Brasil tem menor número de inscritos da história

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) – Com reflexos da transição energética global, a próxima rodada de licitação de blocos exploratórios de petróleo e gás no Brasil teve apenas nove empresas inscritas, o menor número já registrado para uma licitação sob regime de concessão no país, ao incluir também áreas que estão em regiões de nova fronteira, com maior risco exploratório.

A lista, porém, conta com algumas das maiores petroleiras globais. Além da Petrobras, a ANP aprovou a participação de Chevron, Shell, TotalEnergies, Ecopetrol, Murphy, Karoon, Wintershall Dea e 3R.

A 17ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios sob regime de concessão ofertará 92 blocos com risco exploratório, com área total de 53,93 mil km², em 11 setores de elevado potencial e de nova fronteira de quatro bacias sedimentares marítimas brasileiras: Campos, Pelotas, Potiguar e Santos.

A rodada ocorre enquanto petroleiras em todo o mundo estão acelerando planos voltados para transição energética, sob pressão para que reduzam suas emissões. Além disso, o mundo ainda lida com incertezas relacionadas ao baque econômico provocado pela pandemia de Covid-19.

“Com certeza o apetite das empresas que já têm muitos ativos em desenvolvimento é menor. A transição é um fator de incerteza”, afirmou à Reuters o professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Edmar de Almeida.

O professor destacou ainda a grande presença de áreas em novas fronteiras exploratórias, que reúnem menor conhecimento geológico e, portanto, mais risco. Elas também podem encontrar dificuldades para obter licenças para perfurações e sísmicas, devido a questionamentos sobre possíveis fragilidades ambientais.

“Na minha opinião o número reduzido está associado ao fato de que são áreas de maior risco geológico e as empresas estão tendo acesso a ativos exploratórios através da Rodada Permanente (da ANP), além da venda de ativos pela Petrobras”, afirmou.

“De toda forma, é um sinal preocupante que deveria chamar atenção das autoridades energéticas.”

Por outro lado, algumas das áreas em oferta podem conter reservas do pré-sal, segundo a ANP, embora estejam fora dos limites do polígono traçado pelo governo.

MUITO RISCO E PORTFÓLIOS CHEIOS

Magda Chambriard, ex-diretora-geral da ANP, apontou que a rodada poderia ser interessante para grandes petroleiras globais, devido aos blocos próximos ao polígono do pré-sal, nas bacias de Santos e Campos, embora estejam em áreas também pouco exploradas.

No entanto, “elas estão com portfólio cheio, tiveram dificuldades financeiras ano passado e estão começando a recobrar agora”. Ela destacou que as gigantes petroleiras sofreram com a pandemia no ano passado, quando postergaram investimentos, e ainda não os retomaram plenamente.

Chambriard, hoje coordenadora de pesquisa de óleo e gás na Fundação Getulio Vargas (FGV), destacou ainda que a Bacia de Pelotas não tem descobertas realizadas e a de Potiguar está na margem equatorial em águas profundas, pouco exploradas e com histórico de dificuldade de licenciamento ambiental.

“Em resumo: muito risco para algo caro nesse momento difícil”, afirmou.

Recentemente, um grupo de acionistas petroleiros da Petrobras chamado Anapetro enviou uma carta à empresa pedindo que não participe da 17ª Rodada, “dada a fragilidade ambiental e jurídica” de áreas em oferta.

Aldren Vernersbach, economista, pesquisador e consultor UFRJ/FGV também citou os impactos da pandemia na economia global como um dos fatores que afetaram o certame.

“A pandemia… ainda gera perturbações na economia, uma avaliação de aumento dos riscos e afeta a previsibilidade dos agentes econômicos. Esse cenário, consequentemente, leva a uma maior precaução quanto a maiores investimentos”, disse Vernersbach.

“A grande oscilação no preço internacional do petróleo também é uma variável considerada no conjunto de escolhas das operadoras do setor.”

O economista pontuou, entretanto, que “a transição energética ainda não pode ser considerada um fator determinante, nesse caso, uma vez que a economia mundial ainda é dependente de óleo e gás. Contribui, mas ainda existe um vasto mercado a ser atendido”.

A ANP não respondeu imediatamente a pedido de comentários.

(Por Marta Nogueira)

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