Ibovespa cai de olho em China e ruídos políticos internos, em dia de vencimento
Economia

Ibovespa cai de olho em China e ruídos políticos internos, em dia de vencimento

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Novos sinais de desaquecimento da China deixam o investidor da Bolsa brasileira na defensiva. Dados das vendas do varejo e da produção industrial do país vieram mais fracos do que o esperado por analistas, devido à persistência da pandemia de covid-19, principalmente por causa da disseminação da variante Delta. Grandes cidades do país estão voltando a adotar medidas de restrição social para conter o espalhamento da cepa.

Além disso, ruídos políticos voltam a incomodar apesar da divulgação da carta à Nação pelo presidente Jair Bolsonaro, para tentar amenizar o clima negativo com o STF durante as manifestações de 7 de setembro.

Hoje, isso ficou claro em eventos. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o Executivo está tentando fazer seu trabalho com respeito e União, dizendo que é preciso de conversa regular entre os Poderes. Já o presidente do STF, Luiz Fux, disse que a “nossa tarefa é de jogar quando provocado.” Segundo ele, o Judiciário só intervém porque é provocado e a Constituição estabelece que deve decidir. As falas levaram o Ibovespa às mínimas (115.216,01 pontos).

“Aqui, os ruídos continuam. Cada um cutucando de um lado. Fica esse jogo. Não tem sustentação clima entre Poderes após carta à Nação de Bolsonaro após ataques ao STF”, descreve Luiz Roberto Monteiro, operador de mesa institucional da Renascença.

Apesar das incertezas relacionadas à China, ações ligadas ao segmento de commodities metálicas tentam esboçar recuperação. Na esteira de dados fracos do país, o minério de ferro no porto chinês de Qingdao reagiu em baixa, fechando com declínio de 4,13%, a US$ 116,65 a tonelada, diante de dúvidas a respeito da demanda.

Fica no radar o vencimento de opções sobre o índice, o que tende a provocar instabilidade no Ibovespa, e mais ainda nos papéis de peso como Vale e Petrobras. Depois de cair na faixa de 1%, Vale ON reduzia a queda para 0,24% às 11h05.

Nem mesmo valorização do petróleo em torno de 2% segura o recuo do Ibovespa, mas apenas puxa Petrobras para cima (alta de 1,8%).

No entanto, os dados da China seguem no radar. “Já vimos impactos da China fechando. É um efeito dominó, atinge toda a cadeia de produção no mundo, encarece produtos. Como em vários países a inflação está alta – e mesmo com recuperação mais fraca – devem aumentar juros”, diz em nota Vitor Miziara, gestor da Criteria Investimentos.

Rachel de Sá, chefe de economia da Rico, lembra ainda que o governo chinês está implementando uma política de “zero Covid”, o que significa que a qualquer sinal de novos surtos da doença, medidas de restrição de mobilidade são novamente impostas. “Dado o papel do gigante asiático como um dos principais motores da economia global, soluços no crescimento por lá acabam saindo mais como ‘bocejos de mau humor’ – fazendo todo o mundo bocejar o mau humor junto”, avalia em comentário.

O investidor ainda avaliará a notícia de que o conselho de administração da Bradespar aprovou um programa de bonificação em ações. O comunicado também informa que será convocada assembleia geral extraordinária no dia 15 de outubro para propor a redução do capital social dos R$ 5,76 bilhões para R$ 500,124 milhões, sem o cancelamento de ações. Se aprovada, a redução será concretizada com a entrega de ações ordinárias da Vale aos acionistas da Bradespar. Os papéis subiam 7,27%.

Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 0,19%, aos 116.180,55 pontos. Às 11h12, cedia 0,64%, aos 115.433,83 pontos.

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