Riscos de calote da China Evergrande mudam foco para possível resgate pelo governo chinês
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Riscos de calote da China Evergrande mudam foco para possível resgate pelo governo chinês

Riscos de calote da China Evergrande mudam foco para possível resgate pelo governo chinês

Por Clare Jim e Anshuman Daga e Kane Wu

HONG KONG/NOVA YORK (Reuters) – Temores persistentes de calote ofuscaram os esforços do presidente do China Evergrande Group para melhorar a confiança na empresa nesta terça-feira, enquanto o governo chinês não deu sinais de que vai intervir para evitar qualquer efeito dominó na economia global.

Analistas minimizaram a ameaça de os problemas da Evergrande se tornarem o “momento Lehman” da China, embora haja nos mercados preocupações com os riscos de contágio de um colapso desordenado daquela que já foi a incorporadora de maiores vendas da China.

Em um esforço para retomar a confiança na empresa, o presidente da Evergrande, Hui Ka Yuan, disse em carta aos funcionários que a empresa está confiante de que “sairá de seu momento mais sombrio” e apresentará projetos imobiliários como prometido.

Na carta, que coincide com o festival de meio de outono na China, o presidente também disse que a Evergrande vai cumprir as responsabilidades com os compradores, investidores, parceiros e instituições financeiras.

“Eu acredito fortemente que com seu esforço conjunto e trabalho duro, a Evergrande sairá de seu momento mais sombrio, retomará as construções em escala total o mais rápido possível”, disse Hui, sem dar detalhes sobre como a empresa vai alcançar esses objetivos.

Os investidores, entretanto, permaneceram cautelosos. As ações da empresas chegaram a cair 7%, depois de queda de 10% no dia anterior, diante dos temores de que seus 305 bilhões de dólares em dívida possam provocar perdas disseminadas no sistema financeiro da China no caso de um colapso. O papel terminou o pregão com perdas de 0,4%.

“Se for permitido o default de uma parte da dívida da Evergrande, isso provocará questões sobre toda a dívida remanescente com os investidores e o governo não quer uma crise mais ampla como essa”, disse o diretor gerente da Orient Capital Research.

O governo chinês não se pronunciou sobre a crise da Evergrande nas últimas semanas.

O governo chinês vai ajudar a Evergrande ao menos a conseguir algum capital, mas ela pode ter que vender alguma participação a um terceiro, como empresas estatais, disse o banco holandês ING em nota.

Analistas do Citi disseram que os reguladores podem “comprar tempo para digerir” o problema da Evergrande orientando os bancos a não retirarem o crédito e ampliarem o prazo para o pagamento da dívida.

(Reportagem de Svea Herbst-Bayliss, Clare Jim, Tom Westbrook, Alun John e Anshuman Daga)

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