Crianças yanomamis morrem afogadas em rio usado por garimpeiros ilegais
Brasil

Crianças yanomamis morrem afogadas em rio usado por garimpeiros ilegais

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BRASÍLIA (Reuters) -A Hutukara Associação Yanomami disse nesta quinta-feira que duas crianças da comunidade Makuxi Yano, na Terra Indígena Yanomami, morreram após se afogarem em um rio da localidade na terça-feira, no que teria sido um acidente com um maquinário usado por garimpeiros ilegais.

Segundo a entidade, as crianças foram sugadas e cuspidas por uma draga para o meio do rio, que tem fortes correntezas. Uma das crianças, de 5 anos, foi localizada sem vida no final da manhã de quarta-feira pela própria comunidade e a outra, de 7 anos, foi encontrada por mergulhadores dos bombeiros nesta quinta.

A entidade disse que o Conselho de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kwana (Condisi-Y) acionou a Fundação Nacional do Índio (Funai) e outras autoridades em busca de providências no caso.

“A morte das duas crianças yanomamis é mais um triste resultado da presença do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, que segue invadida por mais de 20 mil garimpeiros”, lamentou a Hutukara, na nota.

Sem mencionar a draga, o Corpo de Bombeiros Militar de Roraima disse em nota que informações repassadas pelos indígenas davam conta de que as duas crianças “desapareceram enquanto brincavam em um rio da região, quando foram levadas pela correnteza da água”.

Uma fonte do governo de Roraima, que pediu para não ser identificada, disse que era preciso aguardar uma investigação para se checar o relato dos indígenas de que o afogamento estava relacionado com a draga do garimpo ilegal.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou em nota que acompanha o caso e disse que atua em ações de fiscalização e monitoramento em terras indígenas de todo o país com ações permanentes e contínuas de proteção, fiscalização e vigilância territorial.

A Polícia Federal não respondeu a um pedido de comentário sobre o incidente.

(Reportagem de Ricardo Brito, Maria Carolina Marcello e Anthony BoadleEdição de Alexandre Caverni e Pedro Fonseca)

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