Dólar sobe com exterior, mas fica longe de máximas com noticiário sobre PEC dos Precatórios
Economia

Dólar sobe com exterior, mas fica longe de máximas com noticiário sobre PEC dos Precatórios

Dólar sobe com exterior, mas fica longe de máximas com noticiário sobre PEC dos Precatórios

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar fechou em alta ante o real nesta terça-feira, mas longe das máximas do dia, depois que o mercado repercutiu positivamente notícias sobre mudanças propostas para o texto da PEC dos Precatórios no Senado.

O dólar à vista subiu 0,26%, a 5,6085 reais na venda. Assim, ficou distante da máxima do dia, de 5,6642 reais, quando ganhou 1,25%. Na mínima, marcou 5,5951 reais, perto da estabilidade.

O mercado mais uma vez ficou atento às informações vindas de Brasília sobre o andamento da PEC dos Precatórios no Senado e reagiu bem a manchetes de que o parecer a ser apresentado por Fernando Bezerra (MDB-PE) –líder do governo e relator da proposta no Senado– trará, entre outras mudanças, a não imposição de um valor fixo para o pagamento do Auxílio Brasil –pivô da existência da PEC.

De forma geral, investidores agora esperam a aprovação do texto da PEC que chegou ao Senado sem grandes mudanças em direção a novas aventuras fiscais, depois de já terem reagido muito mal à proposta em curso, que, ao contemplar furo do teto de gastos, provocou um chacoalhão nos mercados recentemente e empurrou o dólar aos níveis atuais perto de 5,60 reais.

O tema fiscal segue como principal ponto de preocupação no mercado brasileiro. Porém, o ambiente externo mais arisco e de dólar mais forte também tem pesado.

Nesta terça, inclusive, a força da moeda norte-americana no exterior segurou a cotação no azul por aqui. O dólar tinha a maior alta desde março contra uma cesta de divisas emergentes, de mais de 1%, alavancado pelo salto de mais de 11% ante a lira turca, que afundou a novas mínimas recordes por temores de desestabilização econômica completa na Turquia liderada por Recep Tayyip Erdogan.

Soma-se a isso a narrativa de que os Estados Unidos estão caminhando para alta antecipada de juros, movimento que teria potencial de turbinar o preço do dólar por aumentar a atratividade da moeda norte-americana.

“Precisaria haver melhora lá fora (para uma recuperação do real), mas no curto prazo não estou vendo, porque a expectativa é que a inflação siga pressionada nos países desenvolvidos, especialmente nos Estados Unidos”, disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho. “Assim, é pouco provável vermos uma recuperação sustentada do real até o fim do ano”, completou, prevendo dólar de 5,60 reais ao fim de dezembro.

Estrategistas do banco francês veem a taxa de câmbio em 5,90 reais já no primeiro trimestre de 2022, superando a barreira dos 6 reais ao término de junho e fechando o ano em 6,40 reais, por uma combinação de incertezas externas (política monetária mais apertada nos EUA, economia da China em desaceleração) e domésticas (fiscal expansionista e eleição presidencial).

“O risco de um episódio de fortalecimento do dólar como 2014-2015 é também algo a ser monitorado de perto”, disseram em relatório de cenário para 2022.

Em meio a uma crise político-econômica doméstica e um surto de valorização global do dólar, a moeda dos EUA saltou 67% no acumulado de 2014 e 2015, saindo da casa de 2,36 reais para cerca de 4 reais.

Essa máxima, porém, já foi deixada para trás em várias oportunidades e, atualmente, o pico intradiário do dólar é de 5,876 reais, alcançado em 9 de março deste ano.

Desde 2011 o dólar subiu no acumulado anual em todos os anos, com exceção de 2016. Apenas em 2015, o salto foi de 48,5%.

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