Asa traseira vira preocupação para Verstappen, mas Red Bull crê em 'solução fácil'
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Asa traseira vira preocupação para Verstappen, mas Red Bull crê em ‘solução fácil’

LONDRES, REINO UNIDO (UOL/FOLHAPRESS) – O campeonato mais disputado da Fórmula 1 nos últimos anos também tem sido o das asas traseiras, com a Red Bull e a Mercedes pressionando a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) enquanto tentam melhorar a eficiência de seu equipamento.

Nas últimas quatro corridas, o que chamou a atenção foi a dificuldade que a equipe do holandês Max Verstappen, que lidera a competição, à frente de Lewis Hamilton, teve com uma peça que não recebeu nenhuma atualização visível.

Eles começaram tendo problemas no acionamento do DRS em Austin, mas isso não comprometeu o rendimento, e Verstappen venceu a prova.

No México, foi usada uma asa diferente devido às características da pista, e o problema foi outro, resolvido com pequenas tiras de fibra de carbono sendo coladas para garantir a integridade da peça.

A Red Bull voltou a usar a asa de Austin no Brasil, e ela passou a apresentar um movimento estranho quando o DRS estava ativado, o que piorou no Catar, quando foi visível que ela ficava tremulando no final da reta.

O problema está no mecanismo hidráulico que fica no centro da asa e que controla a abertura do DRS. Ele não está aguentando a força exigida para mantê-la aberta, e, por isso, a lâmina começa a se mexer. Isso traz perda de performance e abre brecha para que o sistema quebre.

Por conta disso, o delegado técnico da FIA, Jo Bauer, passou horas na garagem da Red Bull no Catar no sábado (20) observando o trabalho da equipe, que acabou decidindo usar outro tipo de asa, comprometendo o acerto de seu carro.

Na corrida, Hamilton venceu, Verstappen foi segundo, e a vantagem do holandês sobre o britânico agora é de oito pontos, com 52 em jogo nas duas últimas provas.

Uma teoria que tenta explicar esse problema da Red Bull nesta reta final sugere que a asa de Austin tenha se desgastado com as ondulações da pista norte-americana, o que se agravou no Brasil, e a equipe não teve tempo de reforçar o equipamento como deveria para o Catar, já que as corridas foram realizadas em sequência.

Outra possibilidade é que a Red Bull tenha tentado tirar peso de sua asa, e, por isso, teve o problema. Mas, de qualquer maneira, o chefe Christian Horner está otimista. “Do ponto de vista da confiabilidade, deve ser relativamente fácil de arrumar, pois não é uma tecnologia nova, é algo que usamos há muito tempo.”

Reforçar essa parte da asa seria mesmo a solução, já que mudar o desenho da peça exigiria que a equipe gastasse uma ficha de desenvolvimento, e eles não têm mais nenhuma disponível.

Não é de agora que as asas traseiras são protagonistas na temporada.

Tudo começou quando a Mercedes questionou a flexibilidade da asa traseira da Red Bull na primeira metade do campeonato, e o time de Max Verstappen contra-atacou —não apenas com uma peça que passava pelos novos testes introduzidos pela FIA para atestar sua legalidade, como também com um formato que melhorava sua velocidade de reta.

Com o passar das provas, contudo, a Red Bull foi notando que a velocidade da Mercedes foi melhorando, especialmente no final das retas. Primeiro, eles acreditavam que havia algo diferente no motor, mas depois começou a observar um movimento diferente no equipamento dos rivais.

No Brasil, a Red Bull fez uma reclamação à FIA, pedindo que a entidade endurecesse os testes de rigidez, uma vez que o regulamento proíbe que peças aerodinâmicas se movam.

Esse novo teste começou a ser feito no Catar, mas sem o poder de punir uma equipe caso ela não passe —isso porque não foi feita uma diretiva técnica, como aquela que obrigou a Red Bull a reforçar sua asa no meio da temporada, já que isso só pode ser feito dando tempo para que as equipes se adaptem.

De qualquer maneira, o próprio Horner admitiu que a asa da Mercedes não estava com o mesmo movimento apresentado no Brasil.

“Acho que o teste que foi introduzido deve fechar qualquer oportunidade de manobra. É encorajador que, pela primeira vez desde antes de Silverstone, conseguimos ter a mesma velocidade de reta deles, a qual estava aumentando de forma exponencial nas corridas”, disse, referindo-se à prova, em julho, em que a Mercedes estreou sua única grande atualização do ano.

Um bom tira-teima das asas será na próxima etapa, na Arábia Saudita, de 5 de dezembro. A pista, que estreia no campeonato, tem longas retas e deve ser o circuito de rua mais rápido do calendário.

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