Cancelamento do carnaval de rua é 'balde de água fria' para comércio, hotéis e serviços ligados ao turismo, que contabilizam prejuízos
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Cancelamento do carnaval de rua é ‘balde de água fria’ para comércio, hotéis e serviços ligados ao turismo, que contabilizam prejuízos

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RIO — O cancelamento do carnaval de rua em várias cidades brasileiras, em decorrência do aumento de casos da variante Ômicron, chegou como um “banho de água fria” para o setor de serviços, particularmente aqueles ligados ao turismo. 

Até a última sexta-feira, nove capitais — incluindo Rio, São Paulo, Salvador, Recife e Olinda —, além do Distrito Federal, haviam cancelado a festa de rua. Pousadas relatam cancelamento de reservas, bares e restaurantes preveem faturamento menor e lojas de fantasias e adereços já amargam prejuízos. O cenário deve afetar a oferta de empregos.

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O presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Alexandre Sampaio, projeta queda de 20% a 25% no faturamento nesta data festiva em comparação com antes da pandemia. 

— Os preços vão cair e ainda assim é possível que a gente não consiga uma boa ocupação. Estamos preocupados, principalmente onde tem muito turismo de folia, como Salvador e Rio de Janeiro. 

O aperto já chegou na Pousada Villa Tropicale, em Salvador, que, no dia seguinte à suspensão da festa, registrou o cancelamento de seis dos sete pacotes fechados para a data, todos de turistas de Argentina e Chile. Antes da pandemia, chegava à lotação total já nos primeiros dias de janeiro. 

O dono da pousada, Giuseppe Cavaliere, conta que, em três semanas, a procura por reservas caiu 90%. Com medo de ficar com ocupação baixa no feriado, avalia descontos de até 50% nos pacotes: 

— Se chegar mais perto da data e ainda estiver com quartos vazios, posso até colocar sem o preço especial de Carnaval. 

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Localizado no centro histórico de Olinda, o Hotel 7 Colinas é muito procurado por quem quer aproveitar o Carnaval de rua nas famosas ladeiras, e o impacto da decisão anunciada na última quarta será enorme, na avaliação do gerente-geral Johnata Mendes. Ele prevê queda de 50% nas reservas para o feriado.  

— Antes mesmo da confirmação, já tínhamos uma expectativa de lotação abaixo de 100%, porque víamos a população receosa. Já estávamos com 60% das reservas fechadas para o Carnaval, e esperamos que esse número caia para 30% nos próximos dias — afirma Mendes, que estuda a possibilidade de reduzir valores dos pacotes para atrair clientes de última hora.

A falta do Carnaval de rua também pesa sobre importantes centros comerciais, como Saara, no Rio de Janeiro, e 25 de Março, em São Paulo. O presidente da Saara, Eduardo Blumberg, espera retração de 30% a 40% na receita na data ante 2020. O impacto é maior para lojas que vendem adereços para o Carnaval, como o Clube das Festas. 

— Esperei a decisão da prefeitura para fechar minhas importações, e tive que reduzir drasticamente a compra de fantasias e investir em itens para decoração, para festas feitas em casa — explica a dona da loja, Mariana Ramalho, que agora prevê redução no faturamento de 30% a 40% na data e de até 50% em 2022, ante 2019.

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Em São Paulo, que cancelou a festa de rua nesta quinta, o comércio popular da 25 de Março deve registrar queda de até 50% em comparação com o Carnaval de 2020, avalia Marcelo Semaan, diretor da União de Lojistas do polo. E para os ambulantes, que têm pico de lucro na data, a suspensão da festa é um “terror”, avalia Valdina Silva, diretora da União Nacional dos Trabalhadores Ambulantes em São Paulo. 

— A classe sofreu muito nos últimos dois anos, com a Covid-19, e não poder participar do carnaval neste ano vai ser um desgaste muito grande para os trabalhadores. Muitos já estão passando fome. 

Durante o feriado, ela afirma que os ambulantes vendem, em média, 10 engradados de cerveja por dia.

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A suspensão do carnaval vem num momento em que o setor de serviço ensaiava uma recuperação e previa uma temporada de verão de retomada. O presidente da FBHA, Alexandre Sampaio, afirma que muitas cidades, como não tiveram um réveillon forte, tinham grande expectativa para a folia nas ruas.  

— O carnaval veio como um banho de água fria. Do jeito que fomos abalados, vamos ter um ano de dura negociação com consumidores, e a recuperação do turismo, que esperávamos para 2022, fica para o próximo ano — conta.

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O economista Claudio Considera, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, aponta que haverá reflexos em outros setores, como em transportes, já que muitas pessoas saem de seus estados para a folia, sobretudo entre as aéreas. 

— O maior problema é com o setor de serviços que, no carnaval, demanda que as empresas produzam mais cerveja e aumentem a produção de alimentos. Sem a demanda, prejudica toda a economia — explica.

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