Dólar avança ante real com receios globais sobre juros e Covid-19
Economia

Dólar avança ante real com receios globais sobre juros e Covid-19

Dólar avança ante real com receios globais sobre juros e Covid-19

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar subia frente ao real nesta manhã, em segunda-feira marcada por temores internacionais sobre aumentos de juros nos Estados Unidos e infecções crescentes por Covid-19, enquanto, no Brasil, investidores monitoravam as perspectivas da saúde das contas públicas.

Às 9:58 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,49%, a 5,6595 reais na venda.

Na B3, às 9:58 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,39%, a 5,6870 reais.

No exterior, o índice do dólar frente a uma cesta de seis rivais fortes tinha alta de 0,22%, enquanto peso mexicano, peso chileno e rand sul-africano, moedas emergentes pares do real, oscilavam entre estabilidade e leve queda frente à divisa dos EUA.

“A manhã está sendo marcada por mais uma rodada de abertura de taxa dos juros americanos, com os papéis de dez anos testando o patamar de 1,80%”, comentou em blog Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos.

“Enquanto as taxas estiverem nesta trajetória ascendente, de maneira rápida e acentuada, estaremos suscetíveis a espasmos de maior volatilidade no mercado.”

O salto nos rendimentos dos títulos soberanos dos EUA –visto como impulso global para o dólar– vem depois de o banco central norte-americano, o Federal Reserve, ter indicado na ata de sua última reunião de política monetária que pode elevar os custos dos empréstimos mais cedo do que o esperado, à medida que a inflação persiste na maior economia do mundo.

Dados de sexta-feira, que mostraram criação de vagas decepcionante nos Estados Unidos, frearam momentaneamente a tendência internacional de valorização dólar no final da semana passada, mas leituras positivas sobre o desemprego e ganhos salariais reforçam, segundo especialistas, argumentos a favor de aumento de juros já em março pelo Federal Reserve.

Além da perspectiva de aperto monetário nos EUA, que tem potencial de reduzir a atratividade de ativos de mercados emergentes, investidores monitoravam nesta segunda-feira o noticiário em torno da disseminação da Covid-19.

A variante Ômicron do coronavírus está aumentando a pressão sobre os sistemas de saúde da Europa e dos Estados Unidos, enquanto vários países ao redor do globo têm registrado números recordes de infecções pela doença nos últimos dias.

Enquanto isso, no Brasil “uma nova dor de cabeça fiscal veio à tona”, disseram economistas do Citi em relatório divulgado nesta segunda-feira. O comentário faz referência às pressões recentes do funcionalismo público por reajustes salariais, após várias categorias de servidores anunciarem planos de paralisações e entregas de cargos.

“Essa questão não é comparável aos desafios recentes (Auxílio Brasil e pagamentos de precatórios) em termos de seu potencial de causar estragos para o real. No entanto, ainda deve ser monitorada”, afirmou o banco norte-americano, acrescentando que parte da volatilidade vista no mercado de câmbio na semana passada pode ser atribuída à liquidez extremamente baixa.

O dólar à vista fechou a última sexta-feira em queda de 0,85%, a 5,6318 reais, menor patamar desde 30 de dezembro (5,5735 reais), mas ainda acumulou alta de 1,05% na primeira semana de 2022.

O Banco Central fará neste pregão leilão de até 17 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 2 de março de 2022.

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