Secretário de Bolsonaro para saúde indígena defende vacina após ato de Doria
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Secretário de Bolsonaro para saúde indígena defende vacina após ato de Doria

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O secretário especial de Saúde Indígena do governo Jair Bolsonaro, Robson Santos da Silva, diz não querer politizar a aplicação da vacina contra a Covid-19 em crianças indígenas nem a presença do governador João Doria (PSDB-SP) na inoculação da primeira dose pediátrica no país, em um menino da etnia xavante.

“O importante, pra gente, é a população indígena estar sendo assistida. Todas as iniciativas são válidas”, afirma Silva, que é coronel da reserva do Exército. “Todo mundo merece ser vacinado. É um trabalho do governo federal integrado com estados e municípios”, segue.

Nesta sexta-feira (14), o indígena Davi Seremramiwe Xavante, 8, que mora no estado de São Paulo, foi a primeira criança a receber a vacina contra a Covid-19 no país. A escolha por seu nome foi revelada em primeira mão pelo jornal Folha de S.Paulo.

O ato na capital paulista marcou o início da imunização para crianças de 5 a 11 anos e um novo trunfo eleitoral de Doria, que no ano passado também esteve ao lado da primeira brasileira vacinada. O governador de São Paulo é pré-candidato à Presidência e desafeto de Jair Bolsonaro (PL).

“Essas vacinas são adquiridas pelo governo federal”, defende o integrante da gestão Bolsonaro. “E é aquilo, a gente não deve politizar um assunto tão tenso, mas todos devem atuar em conjunto para a vacinação dessa população”, diz ainda.

Ao falar sobre a campanha de vacinação infantil, o titular da pasta afirma que a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) é responsável apenas pelos indígenas que se encontram aldeados.

“A partir do momento em que a pessoa vai morar na cidade, cabe aos outros entes da federação, nesse caso estados e municípios, procederem à vacinação”, diz.

O governo federal anunciou já ter doses suficientes para vacinar todas as crianças que vivem em terras indígenas e declarou que agora concentra esforços no treinamento de equipes multidisciplinares de saúde.

Um dos desafios para a Sesai será conseguir remanejar escalas de trabalho para que haja médicos presentes em todas as localidades que receberão a campanha de vacinação infantil.

Segundo o secretário, diferentemente da vacinação de indígenas adultos, nesse caso não basta apenas a presença de profissionais de enfermagem. Algumas aldeias só recebem visitas médicas uma vez por semana ou a cada 15 dias.

“Nós temos um grande quantitativo de enfermeiros e técnicos de enfermagem. Quando é [uma campanha de vacinação] normal, é tranquilo. Agora, não é todo dia que vai ter um médico em cada aldeia. São 6.000 aldeias”, afirma Silva.​

Conforme publicou a Folha de S.Paulo, Davi Seremramiwe Xavante se mudou de uma tribo xavante no estado de Mato Grosso para Piracicaba (SP) há um ano para se tratar no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas. Por causa do problema, ele tem dificuldades para andar e hoje usa uma órtese.

O garoto, que foi imunizado com a vacina pediátrica da Pfizer, é filho do cacique xavante Jurandir Siridiwe. Durante nove meses, o líder indígena viajou mensalmente com menino para a capital paulista para que ele se submetesse ao tratamento.

Com a mudança para São Paulo, Davi foi levado para a casa de uma tutora em Piracicaba, a pesquisadora Fernanda Viegas Reichardt, que o acompanha nas consultas rotineiras que faz no HC, com médicos das áreas de reabilitação e neurologia.

Davi recebeu a vacina quase um ano depois da primeira pessoa vacinada no Brasil contra a Covid-19, a enfermeira Mônica Calazans. A imunização dela, revelada em primeira mão pela Folha de S.Paulo no dia 17 de janeiro de 2021, simbolizou a esperança por dias melhores em meio ao enfrentamento da pandemia.

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