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BC do Japão deve sinalizar pressão crescente de preços e manter política monetária ultraflexível

BC do Japão deve sinalizar pressão crescente de preços e manter política monetária ultraflexível

Por Leika Kihara

TÓQUIO (Reuters) – O Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) deve elevar sua previsão de inflação nesta terça-feira e reconhecer sinais aparentes de mudança na mentalidade deflacionária do país, conforme custos globais teimosamente altos de commodities levam mais empresas a aumentar os preços.

Mas como a inflação deve permanecer abaixo de sua meta de 2%, o BoJ provavelmente enfatizará sua determinação de manter sua política monetária ultraflexível, mesmo que seus pares globais se movam em direção à saída de políticas monetárias do modo de crise.

Em sua reunião de dois dias que termina nesta terça-feira, o banco central deve manter inalterada uma meta de -0,1% para as taxas de juros de curto prazo e uma garantia de orientar as taxas de longo prazo em torno de 0%.

Em um relatório de panorama trimestral que deve ser divulgado após a reunião, o BoJ provavelmente revisará levemente sua previsão de inflação para o ano que começa em abril, ante estimativa atual de aumento de 0,9%, disseram fontes à Reuters.

Comparado com sua avaliação em outubro, esse novo relatório pode enfatizar o aumento da pressão inflacionária e uma mudança no equilíbrio de risco nas perspectivas de preços, segundo as fontes.

“A inflação do Japão vai acelerar gradualmente como uma tendência devido a melhorias no hiato do produto e ao aumento das expectativas de inflação de médio e longo prazo”, disse o presidente do banco central, Haruhiko Kuroda, em discurso na semana passada.

O BoJ também pode sinalizar planos para realizar uma análise completa de um cenário em que recentes sinais de aceleração da inflação durariam.

A inflação tem se aproximado da meta do banco central não porque a economia tem ganhado força, mas por causa de elementos externos, o que complica para as autoridades do BoJ explicar como os recentes movimentos de preços podem afetar a política monetária futura.

Um salto na inflação no atacado e custos de importação em alta na esteira de um iene fraco ditaram elevações nos preços de uma ampla gama de bens, o que atinge famílias em um momento em que o crescimento dos salários continua lento.

Alguns analistas esperam que o núcleo da inflação ao consumidor ultrapasse 1,5% por volta de abril, conforme cortes de tarifas de celulares do ano passado perderem peso no cálculo e aumentos anteriores nos custos do petróleo encarecerem as contas de eletricidade.

Com o aumento impulsionado pelos preços mais altos das matérias-primas, em vez de uma alta esperada na demanda doméstica, a prioridade de curto prazo do BoJ é evitar que um desvio transitório na inflação alimente especulação do mercado de um aperto antecipado de política monetária.

Minimizar demais crescentes pressões de preços, no entanto, pode diminuir a percepção pública de futuras altas de preços e inviabilizar esforços do banco central para elevar a inflação em direção à sua meta, dizem analistas.

Ao debater o panorama de política monetária, o BoJ se concentrará na discussão sobre se os salários aumentarão o suficiente para dar poder de compra às famílias, permitir que empresas continuem a subir os preços e acelerar a inflação de forma sustentável, de acordo com fontes familiarizadas com seu pensamento.

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