Economia

Dólar tem maior alta em 3 semanas e fecha acima de R$5,50 com exterior arisco; volatilidade dispara

Dólar tem maior alta em 3 semanas e fecha acima de R$5,50 com exterior arisco; volatilidade dispara

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar registrou a maior elevação em três semanas e voltou a fechar acima de 5,50 reais nesta segunda-feira, com a moeda norte-americana subindo em bloco no mundo em meio a forte clima de aversão a risco por tensões geopolíticas, a dois dias da decisão de política monetária nos EUA.

O dólar à vista subiu 0,90%, a 5,507 reais na venda, maior ganho percentual diário desde o último dia 3 (+1,63%).

Na máxima, a cotação foi a 5,526 reais, alta de 1,25%. Na mínima, teve variação negativa de 0,05%, a 5,455 reais.

A incerteza disparou. Uma medida da volatilidade implícita nas opções de dólar/real para três meses –que pode ser lida como o sentimento de curto prazo sobre a taxa de câmbio– saiu de 14,697% de sexta para 15,825%, pico também desde 3 de janeiro.

Com isso, o real voltou a ser a segunda moeda emergente relevante com maior volatilidade, atrás apenas do rublo russo. Até então, a instabilidade associada ao rand sul-africano era maior que a embutida para a divisa brasileira.

O exterior dominou a formação do preço da taxa de câmbio nesta sessão. O dólar subia ante 32 de uma lista de 33 pares, com o rublo em queda de 1,4% e na lanterna global em meio a temores de que uma escalada de tensões leve a um conflito mais severo entre Rússia, Ucrânia e o Ocidente. O real teve o quarto pior desempenho no dia.

Refletindo o azedume no humor, as bolsas de Nova York tinham expressivas baixas, enquanto o petróleo caiu e os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA cediam –num clássico reflexo de aversão a risco. [.NPT]

Apesar do dia mais negativo, a alta do dólar ocorreu num mês de, por ora, queda da moeda norte-americana ante o real (de 1,19%), com investidores estrangeiros que operam via B3 se livrando de parte das pesadas apostas contra a divisa doméstica. Enquanto isso, especuladores que negociam na Bolsa de Chicago também estabilizaram suas posições que ganham com a desvalorização da taxa de câmbio, a despeito do aumento de expectativas de mais juros nos EUA.

O JPMorgan avaliou em relatório que o dólar de forma geral tem falhado em obter apoio recentemente da alta dos rendimentos dos títulos dos EUA e da queda das ações.

O real se beneficiou desse movimento nos últimos dias, e a moeda dos EUA perdeu 5,17% entre a máxima recente –5,7128 reais, alcançada no dia 5 de janeiro– e a mínima da quinta-feira passada –5,4172 reais.

O que mantém o câmbio aqui sob uma espada é a incerteza fiscal. O presidente Jair Bolsonaro sancionou o Orçamento de 2022 com a previsão de 1,7 bilhão de reais para reajustes de servidores públicos e 4,9 bilhões de reais para alimentar o fundo eleitoral, mas promoveu um veto de 3,2 bilhões de reais com o objetivo de recompor verbas de pessoal.

“Ainda não há uma decisão formal sobre reajuste aos servidores públicos, mas as pressões são grandes”, lembrou Dan Kawa, diretor de investimentos e sócio da TAG Investimentos.

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