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Fed sinaliza intenção de se juntar à grande saída de estímulo dos BCs

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LONDRES (Reuters) – O Federal Reserve iniciou 2022 com uma mensagem clara: as taxas de juros vão subir para conter a inflação em alta.

Outros bancos centrais já iniciaram a elevação das taxas, e mesmo os “dovish” (com viés mais expansionista para a política monetária) estão começando a desfazer o estímulo adotado para proteger suas economias da pandemia de Covid-19.

Aqui está um compilado de como os formuladores de política monetária estão no caminho para sair do estímulo da era da pandemia, em ordem de quão agressivos parecem:

1) NORUEGA

O banco central da Noruega consolidou sua posição como o mais agressivo BC no mundo desenvolvido, elevando as taxas de juros em dezembro depois de começar a apertar a política monetária em setembro.

No mês passado, o banco elevou os juros para 0,5% e, em sua reunião de janeiro, sinalizou novo aumento em março.

2) NOVA ZELÂNDIA

A Nova Zelândia elevou os juros em novembro pela segunda vez, para 0,75%, e previu que os custos dos empréstimos chegariam a 2,5% até 2023.

A inflação anual ao consumidor atingiu um pico em três décadas no quarto trimestre, consolidando expectativas de que a política monetária será apertada na reunião do banco central de 23 de fevereiro.

3) REINO UNIDO

Espera-se que o Banco da Inglaterra (BoE) suba os juros na próxima semana, após surpreender os mercados com alta da taxa em dezembro.

Explicando seu acréscimo de 15 pontos-base, para 0,25%, o BoE disse que a inflação deve atingir 6% em abril –o triplo de sua meta– e que mais aumentos de juros provavelmente seriam necessários.

Os mercados precificam 90% de chance de alta da taxa em fevereiro e antecipam quatro aumentos de 25 pontos-base até o fim de 2022.

4) ESTADOS UNIDOS

O Federal Reserve sinalizou na quarta-feira sua intenção de aumentar a taxa de juros em março e reafirmou planos de encerrar suas compras de títulos naquele mês, no que o chair do banco central dos EUA, Jerome Powell, prometeu que será uma batalha firme para domar a inflação.

A possibilidade de o Fed agir de forma ainda mais agressiva causou nervosismo em Wall Street, colocando o índice S&P 500 no caminho de sua maior queda mensal desde março de 2020.

O Deutsche Bank espera que o Fed eleve a taxa de juros em todas as reuniões de março a junho e depois volte a um ciclo de aperto trimestral a partir de setembro, totalizando cinco aumentos neste ano. O Nomura, por sua vez, prevê um movimento de 50 pontos-base em março.

5) CANADÁ

O Banco do Canadá (BoC) surpreendeu alguns na quarta-feira ao optar por não aumentar a taxa de juros de 0,25%, mas o presidente do BoC, Tiff Macklem, disse que o banco está em “um caminho ascendente”.

A inflação de dezembro, de 4,8%, foi a mais alta desde 1991 e bem acima da faixa de controle de 1%-3% do banco. Os mercados estão precificando 90% de chance de aumento para 0,50% em 2 de março e pelo menos cinco altas neste ano.

6) AUSTRÁLIA

Com a inflação ao consumidor mais alta desde 2014 e o mercado de trabalho mais forte desde 2008, o Reserve Bank of Australia (RBA) enfrentará imensa pressão na reunião da próxima semana para abandonar sua postura “dovish”.

O RBA já avançou para desfazer o estímulo pandêmico ao abandonar uma meta de rendimento ultrabaixo de títulos e abriu as portas para um aumento de juros em 2023, em comparação com uma previsão anterior para 2024.

Mas, embora o presidente do BC, Philip Lowe, tenha dito que um aumento das taxas em 2022 é improvável, uma pesquisa da Reuters com analistas indicou que o RBA aumentará as taxas em novembro e encerrará o afrouxamento quantitativo na próxima semana.

7) SUÉCIA

A Suécia encerrou seus mecanismos de empréstimos da era da pandemia, mas sinalizou aumento das taxas de juros apenas para o fim de 2024.

A inflação em dezembro foi de 4,1%, contra a meta de 2%. O aumento de dezembro deveu-se principalmente aos custos da eletricidade, e as pressões gerais sobre os preços permanecem modestas, disse o presidente do banco central, Stefan Ingves, no início deste mês.

8) ZONA EURO

O Banco Central Europeu (BCE) está em um caminho muito diferente da maioria dos pares.

O BCE disse no mês passado que encerraria seu esquema de compra de ativos de emergência pandêmica de 1,85 trilhão de euros até o fim de março.

Embora a inflação esteja em um recorde de 5%, o BCE espera que a alta dos preços desacelere e diz que um aumento da taxa de juros neste ano é improvável. No entanto, prometeu apoio abundante por meio de seu Programa de Compra de Ativos há muito em operação e sinalizou uma saída muito gradual de anos de política ultraestimulativa.

9) JAPÃO

O Banco do Japão (BoJ) tomou medidas preliminares para desfazer o estímulo, comprometendo-se a desacelerar as compras de títulos corporativos e de notas promissórias para níveis pré-pandemia a partir de abril.

Neste mês, o BoJ elevou as previsões de inflação, mas esvaziou especulações de que em breve poderá sinalizar uma mudança em seu experimento de estímulo de uma década, dizendo que não tem pressa em mudar a política monetária ultrafrouxa.

10) SUÍÇA

O Banco Nacional Suíço (SNB) permanece na ponta “dovish” do espectro da política monetária, apesar da inflação mais alta, e diz que sua postura acomodatícia é apropriada.

No entanto, diante de um boom imobiliário, o SNB determinou nesta semana que bancos mantenham capital adicional no valor de 2,5% das posições ponderadas pelo risco que são lastreadas em imóveis residenciais.

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