SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O podcaster americano Joe Rogan pediu desculpas neste sábado (5) pelo uso de linguagem racista e disse que o Spotify, plataforma que distribui seu programa, deletou alguns dos episódios mais ofensivos.
“Minhas mais sinceras e humildes desculpas”, afirmou Rogan num vídeo de cinco minutos no Instagram, apontando se tratar da “coisa mais lamentável e vergonhosa” que ele teve que abordar publicamente.
O pedido de desculpas ocorre após a circulação de vídeos de arquivo em que o podcaster aparece dizendo insultos racistas. Rogan, 54, disse que algumas de suas falas haviam sido tiradas de contexto, mas que o conteúdo era “horrível, até para mim”.
“Nunca usei [termos racistas] para ser racista, porque não sou racista”, declarou.
O jornal americano The New York Times informou no sábado que cerca de 70 episódios do programa “The Joe Rogan Experience” haviam sido retirados pelo Spotify. O serviço de streaming não se pronunciou.
Antes do pedido de desculpas, Rogan já estava envolvido em uma controvérsia após publicar uma entrevista de três horas com o imunologista americano Robert Malone, que traçou paralelos entre a Alemanha nazista e os EUA de hoje, citando que a sociedade estaria sendo “hipnotizada” para acreditar nos imunizantes e nas medidas sanitárias para combater a pandemia. O episódio foi publicado em 31 de dezembro.
Dias depois, um grupo de cientistas e profissionais de saúde relatou ao Spotify dados falsos a respeito da vacinação e da Covid-19 no podcast, mas a empresa optou por manter o episódio na plataforma –movimento contrário ao do YouTube, que derrubou o conteúdo no canal oficial do programa e as tentativas de outros usuários de fazerem upload do vídeo.
Na sequência, vários artistas decidiram retirar suas músicas do Spotify, como forma de protesto.
A iniciativa foi liderada pelo cantor Neil Young e contou com a adesão de Joni Mitchell e do trio David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash. Apenas Young tinha 2,4 milhões de seguidores na plataforma e mais de 6 milhões de ouvintes mensais. A mídia americana também noticiou que fãs de Taylor Swift têm pressionado a cantora a seguir a campanha.
Ao comentar a polêmica, Rogan defendeu continuar recebendo convidados com “pontos de vista controversos”, mas disse estar aberto para balancear essas perspectivas. “Não quero mostrar só a opinião contrária à narrativa corrente. Quero mostrar todas as opiniões, para que possamos entender o que está acontecendo. E não só sobre a Covid, mas tudo”, afirmou em post no Instagram
Já o Spotify anunciou no domingo (30) que todos os podcasts que mencionarem a Covid-19 terão links com informações factuais, cientificamente comprovadas sobre a pandemia -algo semelhante ao que acontece em redes sociais como o Instagram. Segundo a plataforma, já foram removidos mais de 20 mil episódios relacionados ao coronavírus desde o início da pandemia devido à desinformação.
“Sabemos que temos um papel crítico a desempenhar no apoio à liberdade de expressão do criador [de conteúdo], ao mesmo tempo que temos que equilibrá-la com a segurança de nossos usuários”, escreveu o CEO e um dos fundadores da empresa, Daniel Ek, em carta pública.
“Nesse papel, é importante para mim que não assumamos a posição de censurar o conteúdo, ao mesmo tempo que nos certificamos de que existem regras e consequências para aqueles que as violam.”
Estima-se que o podcast “The Joe Rogan Experience” atraia cerca de 11 milhões de ouvintes por episódio e, segundo o jornal The Wall Street Journal, o Spotify teria pago mais de US$ 100 milhões (R$ 532 milhões) pela exclusividade da atração. O podcaster ainda tem 14,4 milhões de seguidores no Instagram e 8,2 milhões no Twitter. Como comparação, nessas redes sociais, o presidente americano, Joe Biden, soma 17,6 milhões e 32,3 milhões de seguidores, respectivamente.

