Tragédia em Petrópolis: ‘Consigo ouvir as vozes das mães que morreram na tragédia’, diz bispo em missa de sétimo dia

Mix Vale

Familiares e amigos de vítimas da tragédia de Petrópolis acompanham nesta segunda-feira uma missa de sétimo dia em memória dos mortos. Até o momento há 181 óbitos confirmados e mais de 100 pessoas desaparecidas. Logo no início da cerimônia, uma pessoa passou mal e precisou ser atendida socorrida para fora da igreja. Outras pessoas precisaram ser acolhidas por amigos e parentes devido à forte emoção da cerimônia.

A missa é presidida pelo bispo de Petrópolis, Dom Gregório Paixão, na Igreja Santo Antônio, no Alto da Serra, a poucos metros do Morro da Oficina, uma das áreas mais atingidas pela enxurrada. A igreja também é ponto de acolhida de desabrigados da região.

— Confesso que no meu coração, como o de tantas pessoas, consigo ouvir as vozes das mães que morreram na tragédia. Do meio da lama sou capaz de ouvir as vozes das mães gritando para cuidar de seus filhos. De crianças dizendo: “cuide da juventude ja que não tive a chance de viver”. Existe um clamor de justiça, amor e paz. Mesmo tendo a voz silenciadas pela morte, elas continuam gritando — disse o bispo na cerimônia.

O sacerdote disse ainda que muitas pessoas se mudam para regiões de encosta “porque sonham” e convidou à construção de “uma nova sociedade”:

— O povo vai para regiões perigosas porque sonha. Querem uma familia, mas sem condições vão para as possibilidades que podem. O resultado disso? Sobem os morros. Dá para construir uma nova história, uma possibilidade de mundo novo que só se dará quando nos unirmos na construção de uma nova sociedade.

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