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Defensores de ilha que viraram símbolo da guerra na Ucrânia podem estar vivos

MOSCOU, RÚSSIA (FOLHAPRESS) – Os soldados que desafiaram o poderio militar de Vladimir Putin mandando um navio militar russo “se f…” e morreram como heróis, como disse o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, podem estar vivos.

Foi o que admitiu a Guarda de Fronteira da Ucrânia neste domingo (26), com base em informações inicialmente divulgadas na imprensa russa.

O episódio foi celebrado em Kiev e no Ocidente como um símbolo da resistência ucraniana ante a invasão de forças russas, iniciada na quinta (24). “Todos os guardas de fronteira morreram heroicamente, mas não se entregaram”, disse com pompa o midiático Zelenski, que antes de vencer a eleição presidencial de 2019 havia feito carreira como comediante na TV do país -seu papel mais famoso foi o de um professor ingênuo que virava presidente.

Segundo uma gravação do sistema de rádio da pequena Ilha da Cobra, 300 km a oeste da Crimeia anexada por Putin em 2014, um navio russo se aproximou da pequena guarnição com 13 soldados. Exigiu sua rendição, recebendo a resposta: “Navio de guerra russo, vá se f…”.

O xingamento virou uma bandeira nacional na guerra. Sinais eletrônicos em rodovias nas regiões invadidas por veículos militares russos passaram a veicular a mensagem, hashtags foram criadas, o pacote todo.

O grupo, disse a Guarda, pode estar preso em Sebastopol, a sede da Frota do Mar Negro da Marinha russa, na Crimeia. Até agora, ninguém viu fotografias ou imagens deles para comprovar, contudo. Se confirmado o destino dos soldados, não será exatamente um constrangimento, mas um sintoma típico de guerras.

Historicamente, há exageros em todo conflito para fins de propaganda, como a encenação da colocação da bandeira americana sobre a devastada ilha japonesa de Iwo Jima em 1945. A vitória militar era real, mas a cena da conquista, não, como mostrou em 2006 no díptico cinematográfico “A Conquista da Honra” e “Cartas de Iwo Jima” o diretor americano Clint Eastwood.

No conflito atual, o maior em solo europeu desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), já havia aparecido também outra figura constante no campo militar: a lenda urbana.

No caso, voadora. Trata-se do Fantasma de Kiev, um suposto piloto de MiG-29 que teria abatido seis caças russos, inclusive dois moderníssimos Su-35S, no primeiro dia da batalha. As redes sociais ucranianas ferveram com supostas imagens do avião, um modelo soviético não dos mais atualizados.

Páginas criadas por fãs surgiram e até um vídeo do caça derrubando com um míssil um rival enfim apareceu -só para ser identificado como o trecho de um videogame bem realista. A Força Aérea ucraniana ainda tem alguma capacidade de combate, apesar de ter tido 14 bases destruídas até aqui, mas não é algo aferível.

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