NOVA YORK — O bitcoin disparou acima de US$ 42 mil (R$ 210 mil) em meio a uma alta acentuada nos tokens digitais, estimulada pelo otimismo sobre uma ampla revisão dos Estados Unidos na regulação das criptomoedas, que a secretária do Tesouro Janet Yellen chamou de “histórica”.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, lançou nesta quarta-feira (9), um projeto que pretende criar um “dólar digital”, mas prometeu prudência diante dos riscos dessa inovação.
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Em decreto, Biden pediu ao Departamento do Tesouro que lhe envie um relatório sobre “o futuro da moeda” em seis meses, detalhando as vantagens e desvantagens da eventual criação nos Estados Unidos de uma moeda digital emitida pelo Banco Central (CBDC).
A mais importante criptomoeda teve alta de 10%, atingindo US$ 42.427, seu nível mais alto desde 2 de março. O Ether, por sua vez, registrou alta de 8%, enquanto as chamadas moedas de privacidade, como Monero, apresentaram grandes ganhos. O avanço das criptomoedas ocorreu quando um amplo rali de risco atingiu as ações europeias.
O presidente quer detalhes sobre as consequências dessa ideia sobre os sistemas financeiro e de pagamentos, o crescimento econômico, as possibilidades de acesso de todos e a segurança do país.
Ele também pediu ao Fed que continue investigando a questão e estude as etapas necessárias para um eventual lançamento do dólar digital.
De acordo com a Casa Branca, mais de 100 países lançaram moedas digitais ou pensam na possibilidade de adotar a medida.
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Mesmo após a disparada desta quarta-feira, o Bitcoin permanece na faixa de US$ 33 mil a US$ 48 mil, onde foi negociado a maior parte deste ano. Depois de divergir das ações no início da semana passada, as criptomoedas desistiram da maioria desses ganhos com a escalada da guerra na Ucrânia, jogando água fria no argumento de que são um porto seguro em tempos de turbulência geopolítica.
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As moedas de privacidade – assim chamadas pelo maior grau de anonimato que proporcionam aos usuários – foram alguns dos maiores vencedores nas últimas 24 horas, com o Monero saltando 21% e o Zcash 17%, com base nos dados da CoinGecko. Os ganhos foram impulsionados pela especulação de que eles podem ter o tráfego de pagamentos deslocado pelas sanções à Rússia.
“O recente aumento nas moedas de privacidade é impulsionado principalmente por traders que especulam sobre a possibilidade de vermos uma fuga de capital” para eles, disse Ben Caselin, chefe de pesquisa e estratégia da exchange de criptomoedas AAX, em uma mensagem nesta quarta-feira.
O avanço de criptomoedas como o bitcoin e o uso crescente de sistemas de pagamento digitais provocaram o interesse da criação de uma moeda digital oficial.
Se concretizada, essa ideia pode revolucionar as finanças mundiais, onde o dólar é a principal moeda. Mas o projeto envolve riscos para o setor bancário tradicional e a privacidade dos usuários. Os pagamentos digitais atualmente usam intermediários financeiros.
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“Devemos ser muito, muito cuidadosos em nossas análises porque as implicações, em caso de adoção do dólar digital, seriam muito profundas para o país cuja divisa é a principal moeda de reserva mundial”, ressaltou um alto funcionário da Casa Branca que pediu anonimato.
A fonte afirmou ainda que os projetos de moeda digital mais adiantados em outros países ou zonas monetárias “não ameaçam” o domínio do dólar, que garante aos Estados Unidos uma posição privilegiada nas finanças mundiais, mas é também uma verdadeira arma estratégica, como ilustram as sanções adotadas contra a Rússia pela invasão da Ucrânia.
Os Estados querem evitar ceder espaço para atores privados ou potências estrangeiras.
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Biden quer colocar ordem na multiplicação de criptomoedas privadas, extremamente voláteis e totalmente descentralizadas por natureza, das quais a mais conhecida é o bitcoin.
Um alto funcionário garantiu que o governo americano “continuará combatendo de maneira forte” qualquer uso de criptomoedas que sirvam “para evitar sanções dos Estados Unidos e isso também se aplica à Rússia”, que enfrenta pesadas sanções ocidentais desde que invadiu a Ucrânia.
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A mesma fonte considerou, no entanto, que no caso da Rússia não pensa que “o uso de criptomoedas seja um modo viável para evitar as sanções financeira” que buscam afastar o país dos circuitos financeiros mundiais.
A Casa Branca ressaltou que, segundo alguns estudos, quase 16% dos adultos americanos investiram ou usaram criptomoedas.

