RIO — Uma ilhota se soltou na manhã desta terça-feira e “navega desgovernada” pelo leito do Rio Afuá, no arquipélago de Marajó, no Pará. A porção de terra passou pela área central da cidade e foi registrada em vídeo pelos moradores. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente do município de Afuá, onde a ilha foi avistada pela primeira vez, o corpo de terra tem aproximadamente o tamanho de um campo de futebol e meio.
A passagem da ilhota na orla de Afuá chamou a atenção dos moradores da cidade que registraram o momento:
— Olha aí pessoal, aqui passando, um pedaço de ilha se desprendeu. Maior que o navio. É um pedaço grande, tem até um buritizeiro lá atrás. Uma ilha enorme — diz o autor da filmagem.
A prefeitura emetiu um alerta aos barcos da região para que tomem cuidado ao navegar pelo Rio Afuá:
— Pescadores foram alertadas para tomarem cuidado. À noite, se estiver escuro, os barcos podem se chocar com a ilha. Além disso, recomendamos aos curiosos que não adentrem a ilhota, pelo risco de animais peçonhentos, como cobras e escorpiões, além de animais como jacarés — diz Hilder Vinícius de Souza Félix, secretário de Meio Ambiente do município.
A recomendação de Félix, no entanto, não foi seguida por moradores da região e já circulam vídeos nas redes sociais em que é possível ver o interior da ilhota.
A passagem de blocos de terra pelo rio Áfua não é incomum nesta época do ano, explica Félix. No entanto, o episódio desta manhã chama atenção pelo tamanho do corpo de terra. Ano passado, uma outra ilhota já havia surpreendido os moradores.
— Por ser uma região de várzea é costumeiro que esse tipo de fênomeno ocorra, mas com blocos de terra menores. A gente acredita que a pororoca possa ter atingido esse bloco de terra e a feito se desprender do chão — conta o secretário de Meio Ambiente.
Ainda segundo Félix, a ilha chegou ao rio Áfua pelo rio Cajuúna. Após passar pela orla do município, o bloco de terra acabou preso nas proximidades de uma exportadora de madeira. Alguns barcos agiram para soltar a ilhota, que voltou a seguir o curso do rio que batiza a cidade.
— Ela vai pegar a vazante para o rio Amazonas. Deve se prender em alguma praia, na beira do arquipelago de Marajó, ou pode retornar na vazante noturna — explicou Félix.

