Guarda Municipal usa spray de pimenta para dispersar pré-adolescentes em GO

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Cerca de dez crianças de uma escola municipal localizada no residencial Orlando de Morais, em Goiânia, passaram mal após uma abordagem feita nesta terça-feira (3) dentro da unidade pela GCM (Guarda Civil Metropolitana). Segundo informaram pais de alunos, agentes da corporação teriam usado spray de pimenta contra estudantes na faixa de 10 a 11 anos de idade.

O incidente gerou revolta entre os alunos e também entre os pais, que correram até a escola para verificar o que houve. Um vídeo feito por um aluno mostra os estudantes e os responsáveis na porta da escola após a confusão e foi compartilhado em diversos grupos de WhatsApp. A Polícia Militar foi chamada e ambulâncias do Samu e viaturas do Corpo de Bombeiros também compareceram à unidade escolar para prestar atendimento às crianças.

Janilson Saldanha Oliveira da Silva, responsável pela comunicação da GCM, afirmou que desde o início do ano a corporação vem realizando o monitoramento da escola Professora Dalka Leles, antiga escola municipal Orlando de Morais. A vigilância se tornou necessária, segundo ele, por causa de brigas registradas na entrada e na saída e também pelo elevado número de furtos e roubos que vêm ocorrendo naquela região da cidade.

“A diretora solicitou ao comando da GCM que agentes pudessem comparecer à unidade para ministrar uma palestra sobre civismo, segurança e apresentar o serviço da Guarda”, declarou Silva. “Na ocasião, houve um início de distúrbio no banheiro, onde os adolescentes tiveram que ser dispersados, com a presença de parte do efetivo da Guarda”.

Terminada a confusão no banheiro, os adolescentes, segundo Silva, teriam ido para a quadra e iniciaram uma nova briga, dessa vez envolvendo entre 30 e 40 crianças e adolescentes.

“Foi necessária então a utilização do espargidor de spray de pimenta, voltado totalmente para o chão, para fazer a dispersão desses jovens”, afirmou Silva. “Após esse processo, o Corpo de Bombeiros foi chamado e não foi identificado nenhum tipo de lesão”.

Cerca de 10 alunos passaram mal na ocasião. O comandante da 7ª unidade regional da GCM se dirigiu então à unidade para conversar com os pais e prestar os devidos esclarecimentos.

“A grande preocupação da GCM foi proteger as crianças delas mesmas. Evitar lesões, como braços quebrados, mãos quebradas, hematomas e outras lesões dessa natureza. Lembrando que a escola é um local de aprendizagem, do aluno ter acesso à ciência. E não de praticar qualquer tipo de violência, principalmente as brigas”, concluiu Silva.

Por meio de nota, a SME (Secretaria Municipal de Educação) de Goiânia informa que desenvolve programas de combate à violência nas unidades de ensino, por meio da Gerência de Inclusão e do Núcleo de Mediação de Conflitos, “que não foram solicitados pela gestão da escola”.

“Nesta quarta-feira (4), a Secretaria encaminhou apoios técnicos e pedagógicos para dar suporte aos estudantes, famílias e profissionais, e para apurar o ocorrido. Em seguida, a diretora da unidade educacional foi convocada para prestar esclarecimentos. Na reunião, a gestora recebeu orientações sobre como proceder diante da situação”, diz o órgão na nota.

A SME esclarece, também, que abriu um procedimento para apurar as responsabilidades sob sua jurisdição, e solicitou que a agência da Guarda Civil Metropolitana tome as providências cabíveis. A pasta reforça, ainda, que acompanhou o atendimento prestado pelo Corpo de Bombeiros aos estudantes, e esclarece que nenhum envolvido precisou ser encaminhado para uma unidade de saúde.

A Secretaria pontua que o Núcleo de Mediação de Conflitos já está atuando na unidade, e informa que serão implementados na escola “os programas de cultura de paz disponíveis para a Rede Municipal de Ensino”.

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