Entrega do Estandarte de Ouro é marcada pela emoção e consagração da Grande Rio

Mix Vale

O samba subiu o Morro da Urca na noite de sexta-feira e transformou um dos principais cartões-postais da cidade numa espécie de sucursal da Sapucaí, para a entrega do Estandarte de Ouro. Foi um desfile de campeões o reconhecimento dos talentos que brilharam no Sambódromo durante o desfile da retomada do carnaval carioca, após a ausência  por conta da pandemia. A noite foi de consagração da Grande Rio, que levou para Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, troféus em cinco categorias, incluindo a de Melhor Escola.

A celebração, que marcou os 50 anos da premiação, é uma realização dos jornais O GLOBO e Extra, com apresentação da Refinaria Refit e patrocínio do  Invest.Rio. A festa encerrada com o show “Sorriso Negro” da cantora Teresa Cristina foi marcada pela alegria, mas também teve momentos de emoção ao prestar homenagens a gente do samba que perdeu a vida durante a pandemia. A noite foi animada pela bateria premiada da Grande Rio. Os integrantes da tricolor de Duque de Caxias, que também venceu o campeonato oficial, num título inédito, subiram ao palco para receber as premiações aos gritos de “é campeã”, pela plateia.

—Esse prêmio é o segundo Estandarte de Ouro consecutivo que nós ganhamos. A escola está feliz e a cidade também. Em 2020 não teve a festa da entrega, por conta da pandemia, mas essa valeu pelas duas — comemorou o presidente da escola, Milton Perácio.

A Grande Rio também levou para a Baixada os troféus de Melhor Bateria, Melhor Enredo, Destaque do Público e o Prêmio Fernando Pamplona. O carnavalesco Gabriel Haddad, que com Leonardo Bora e o pesquisador Vinícius Natal, desenvolveu o enredo premiado disse que falar de Exu foi uma forma de combater a intolerância religiosa.

—Ele (o enredo) é extremamente importante nesse momento que a gente está vivendo. Exu se fez presente na Sapucaí e venceu mais uma vez e levou o título para Caxias — afirmou.

O mestre de cerimônias foi o jornalista e escritor Leonardo Bruno, que começou sua apresentação destacando a alegria de estar de volta com a festa de premiação, já que a de 2020 havia sido cancelada ainda no começo da pandemia (os vencedores receberam os troféus em seus endereços). Por essa razão, a premiação teve um sabor todo especial, tanto para os premiados como para o público.

Entre os troféus especiais, como o recebido por Haroldo Costa e Maria Augusta, por terem feito parte da história do prêmio, causaram emoção os entregues aos familiares de Argeu Affonso, criador do Estandarte, Aloy Jupiara, que foi coordenador, e Amilton José Gonçalves, que trabalhou no GLOBO por mais de 40 anos. Os três morreram durante a pandemia. Outras pessoas ligadas ao samba que também partiram nesse período tiveram seus nomes e fotografias exibidos nos telões, entre elas Monarco, Nelson Sargento, Tantinho da Mangueira, Djalma Sabiá, Elza Soares e Laíla. Alguns premiados, como o passista Carlinhos Salgueiro, da escola que lhe deu o nome artístico, dedicaram o prêmio às pessoas que perderam parentes.

O presidente de honra da Mangueira, Hélio Turco, levou para casa o troféu especial 50 anos de Estandarte de Ouro. Compositor com mais sambas vitoriosos na verde e rosa — ele calcula 17—, ele ficou lisonjeado com a homenagem.

—Agradeço essa lembrança depois de tantos anos de samba. É com muita gratidão e um aperto no coração, mas de alegria, que recebo essa homenagem — disse.

Enquanto a ala das baianas da Imperatriz se consagrava como maior vencedora da categoria, com o décimo troféu, a jovem Wic Tavares, que estreou este ano no microfone da Unidos da Tijuca, ao lado do pai Wantuir, exibia orgulhosa o seu primeiro Estandarte de Ouro, na categoria revelação. Duas agremiações da Série Ouro, antigo Acesso, também foram premiadas: Império Serrano (Melhor Escola) e Inocentes de Belford Roxo (Melhor Samba Enredo).

O diretor-geral de mídia impressa e rádio do Grupo Globo, Frederic Kachar, destacou que foi uma feliz coincidência os 50 anos do Estandarte de Ouro estarem sendo comemorados no carnaval da retomada. Disse ainda que o fato de a Grande Rio ter recebido o troféu de Melhor Escola e sido campeã da Sapucaí é uma boa chancela para a premiação.

— O Estandarte a cada ano se supera e nesse ano foi de uma precisão incrível. A (escola) campeã acabou coincidindo com a campeã do carnaval oficial, o que é muito bom. De uma maneira geral nossos jurados, que são especialistas máximos, e os do carnaval concordaram que a Grande Rio merecia ser a grande campeã.

O diretor de Redação e editor Responsável do GLOBO, Alan Gripp, e o diretor de Redação do Extra, Humberto Tziolas,  entregaram o troféu de Melhor Escola à Grande Rio.  Eles enfatizaram a felicidade pelo retorno da premiação durante a celebração dos 50 anos do Estandarte, num desfile tão especial como o deste ano e num momento de retomada do carnaval carioca. 

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