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Argentinos têm maior inflação em 30 anos e protestam contra alta de preços e por melhores aposentadorias

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BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – No dia em que a Argentina registrou a maior inflação dos últimos 30 anos, de 58% em 12 meses, a praça de Maio, icônico lugar de protestos em Buenos Aires, encheu-se de manifestantes. Muitos vieram de várias partes do país em grupos de organizações sociais, sindicatos ou de modo independente.

Com bandeiras que pedem fim da fome, melhores condições salariais e trabalho digno, manifestantes reivindicam medidas para reduzir a inflação –hoje a segunda mais alta da América Latina, depois apenas da Venezuela– e mais gasto social em planos de assistência e em pensões para os aposentados.

Desde o começo da tarde, várias quadras do centro da cidade estiveram com o trânsito bloqueado devido ao movimento dos participantes, que vinham com bandeiras, cartazes e ao som de tambores.

Nesta quinta-feira (12) o Indec (IBGE argentino) registrou que a inflação interanual do país, em 12 meses, chegou a 58%. Em abril, a alta no custo de vida dos argentinos foi de 6% –o que mais puxou o custo de vida foram os preços de alimentos e roupas.

Segundo uma pesquisa do Management & Fit, a inflação é hoje a principal preocupação de 43,4% dos argentinos. Em 2020, essa fatia representava 9,9%. O mesmo estudo revelou que 71,9% das pessoas crê que a Argentina está pior do que há um ano. “A consideração de que a inflação é a principal preocupação da sociedade é hoje o único tema que atravessa a sociedade, não importa se a pessoa apoia ou não o governo, ela está preocupada com a inflação, é o tema mais transversal para os argentinos hoje”, diz Mariel Fornoni, responsável pela consultora que realizou a sondagem.

Martín, 24, veio da província de Salta com um grupo de desempregados, que usavam os ponchos vermelhos típicos da região. “Viemos para que nos vejam, a pandemia acabou com o trabalho em nossa província, não há mais turismo, muitos negócios quebraram, e os preços não param de subir”, afirmou.

Macarena, 52, que veio de Quilmes, na província de Buenos Aires, pede “um controle dos preços ou um aumento de salários. Eu ganho 40 mil pesos por mês e tenho três filhos. Não pode ser que um quilo de carne custe 2.000 pesos”.

O dirigente do Polo Obrero, uma organização social de trabalhadores, disse que “se o governo continuar nesse caminho, vai quebrar. Esse povo não vai continuar aguentando a situação que estão vivendo os trabalhadores. Se não formos escutados, a luta vai ser aprofundada e vão ser obrigados a fazer algo”, disse.

“Eu passo o dia buscando emprego, chego exausto em casa e vejo nos programas políticos que estão discutindo quem vai ser candidato às eleições de 2023. Não pode ser. Só nisso pensam os governantes. Nós não estamos chegando ao fim do mês”, disse Nahuel, 44, que veio à marcha desde Flores.

O presidente Alberto Fernández, em viagem à Europa, disse em entrevista a uma TV espanhola que será candidato à reeleição em 2023. “Parece piada”, comenta Nahuel. Sobre a inflação, o mandatário afirmou, apenas, ao conhecer o resultado divulgado nesta quinta-feira, que “não está conforme com os índices atuais”.

Em um programa de televisão, na noite de quarta (11), o ministro da economia, Martín Guzmán, afirmou que a inflação tem alguns “componentes externos”, como a guerra na Europa, e também disse as divisões dentro da própria aliança de governo são uma das razões para não dar respostas mais concretas. Ele se refere ao conflito interno que existe entre o presidente e sua vice, Cristina Kirchner.

“A inflação tem de ser atacada de modo decidido e consistente. Que se consiga resolver o problema de uma forma duradoura e não imediata. Isso não se faz em cinco minutos. Requer muita força na implementação de um programa econômico”, afirmou Guzmán.

A única ação concreta para tentar reduzir os preços foi as tentativas de congelamento impostas pela secretaria de comércio. Guzmán considera que apenas esse recurso não é suficiente.

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