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Banho de lama encerra viagem de elefanta da Argentina a Mato Grosso

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CUIABÁ, MT (FOLHAPRESS) – Após cinco dias de uma viagem longa e cansativa, mas sem imprevistos, finalmente as elefantas asiáticas Pocha, 55, e Guillermina, 22, chegaram ao SEB (Santuário de Elefantes Brasil) na Chapada dos Guimarães, região metropolitana de Cuiabá, local que será a nova casa da dupla.

O caminhão que trouxe mãe e filha de Mendonza, na Argentina, até Mato Grosso estacionou no santuário por volta das 11h desta quinta-feira (12). Um grupo de especialistas e veterinários estavam no local para recepcioná-las.

A primeira caixa a descer do caminhão foi a que trouxe Pocha. Ela foi colocada na entrada do centro veterinário do santuário, único local coberto do espaço e que é utilizado para os cuidados médicos e treinamento dos animais que chegam em seu novo habitat.

Logo que a primeira caixa se abriu, um banquete com frutas, verduras e folhas de palmeiras e embaúbas esperava por Pocha. Apesar das guloseimas oferecidas, Pocha se manteve desconfiada, analisando o novo local –sua última mudança ocorrera havia 54 anos, desde que deixou a Alemanha rumo à Argentina.

Pocha ficou ali por horas, jogando terra com a tromba em seu corpo para espantar os insetos e se proteger do sol, até a chegada de uma chuva repentina. Pocha não perdeu tempo e, com a lama que se formou, besuntou o seu corpo, brincadeira que os elefantes adoram.

Até o fim da tarde desta quinta-feira (12), Pocha ainda não tinha saído da caixa, sempre ia e voltava, sinalizando estar em dúvida quanto aos seus movimentos. Logo que Pocha deixar a caixa, será a vez de sua filha, Guillermina.

À Folha de S.Paulo Daniel Moura, biólogo e diretor do SEB, explica que esse processo pode ser demorado ou não, mas que é importante deixar o animal no comando para facilitar o processo de confiança.

Mesmo com a demora de Pocha, o biólogo acredita que no caso de Guillermina a etapa será mais rápida, já que ela verá sua mãe dentro do centro veterinário do SEB.

Daniel conta que o espaço é o primeiro local que os animais conhecem no santuário. “Se elas não quiserem tomar banho de chuva, elas correm para cá, mas, como elas amam a chuva, poucas vezes elas vêm”, diz.

O local é necessário para que os animais passem pelo processo de adaptação e treinamento e para que os veterinários possam acessar o corpo dos bichos para os cuidados.

“A gente chama de reforço positivo. A gente dá algumas coisas que elas gostam de comer, como frutas, para que elas permitam que a gente as treine, que elas recebam comandos e elas possam permitir que a gente acesse pata, orelha, parte do corpo delas”, explica.

Daniel destaca que esse processo também pode ser demorado.

“Elas não passam por uma bateria de exames logo que chegam. É preciso primeiro o elefante permitir que deixe acessá-lo.”

Pocha e Guillermina viviam em uma espécie de fosso de aproximadamente seis metros no Ecoparque na Argentina. “Aqui elas saem de locais minúsculos para um lugar gigantesco com vegetação natural, com outras elefantes para socializarem”, diz o biólogo.

“Isso faz toda a diferença no processo de recuperação da saúde física e mental desses animais que viveram em situações inadequadas a vida inteira. A Pocha por pelo menos 55 anos no mesmo recanto e a Guillermina há 22 anos, desde que ela nasceu. Ela nunca viu nada além do fosso em que ela vivia”, resume.

Após o processo de adaptação e dos exames adequados, Pocha e Guillermina poderão sair do centro veterinário para outros recintos, que são lugares de 10 mil m2 a 20 mil m2.

Nessas outras etapas, a aproximação com Maia, Rana, Lady, Mara e a Bambi, as demais elefantas moradoras do santuário, ocorrerá “no tempo das recém-chegadas”, dizem os responsáveis.

“Os primeiros contatos ocorrem nos recintos iniciais. Ali como há grades, eles se tocam, se cheiram, se assim o desejar. E a confiança vai delas mesmo, se permitem aproximação ou não”, conta.

Ainda segundo o biólogo, não há risco de briga entre moradoras e novatas. “Não terá uma elefanta correndo atrás da outra. Isso não ocorre porque a aproximação delas só acontece quando uma permite. Elas trocam sinais, quando é para se aproximar ou quando querem ficar sozinhas. São bastante educadas e comunicativas.”

Pocha e Guillermina viajaram desde o último sábado (7) de caminhão. Ao todo, as duas percorreram 3.228 km até o destino final.

Com 1.100 hectares (equivalentes a sete parques Ibirapuera, em São Paulo), o SEB é o primeiro lugar em toda a América Latina destinado à conservação desses animais.

O local possui área médica, tanques de água e setor de alimentação. As elefantas recebem cuidados diários e têm espaço de 29 hectares para percorrer -apenas as áreas adaptadas, não o total do terreno, são permitidas aos animais, para que possam ter o acompanhamento adequado.

Pocha é descrita como uma mãe “quieta e protetora”, enquanto Guillermina “tem uma “grande personalidade” e age como uma criança mimada, já que por ser jovem não conhece o comportamento apropriado dos elefantes.

De acordo com as informações do santuário, Pocha nasceu em 1967 na Alemanha e chegou à Argentina no ano seguinte. Ela tem a pele clara e rosada com pintas pretas, com a despigmentação que é comum de ocorrer nos elefantes asiáticos.

Já Guillermina tem estrutura pequena, pele firme e uma pequena barriga. E, apesar de ter vivido toda a sua vida em um cativeiro, demonstra energia para brincar.

Além da chegada de Pocha e Guillermina, o SEB ainda aguarda a autorização da licença para trazer Tamy, o pai de Guillermina, que é da espécie asiática e tem 50 anos.

Outra que aguarda “visto” é Kenya, uma elefanta africana de 35 anos. Porém, as licenças necessárias para a transferência de ambos para o santuário ainda estão em andamento.

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