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Policiais confirmam ter atirado contra usuários de drogas em SP

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Três policiais do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos) admitiram ter atirado contra usuários de drogas que estavam aglomerados na avenida Rio Branco, no centro de São Paulo, na noite desta quinta-feira (12).

De acordo com a delegada Elisabete Sato, eles se apresentaram espontaneamente ao DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), que investiga o caso. A Corregedoria da Polícia Civil foi convocada para acompanhar os depoimentos dos policiais.

Na mesma Rio Branco, na noite de quinta (12), Raimundo Nonato Rodrigues Fonseca Júnior, 32, foi encontrado caído após um tumulto. Ferido no tórax, ele chegou a ser levado à Santa Casa, mas não resistiu.

A confusão começou, segundo testemunhas, quando usuários de drogas passaram pela avenida e tentaram depredar um ponto de ônibus.

Vídeos divulgados nas redes sociais por moradores mostram três homens armados e disparando contra o grupo, que descia a Rio Branco.

Natural de Campinas, Fonseca Júnior vivia nas ruas do centro paulistano ao menos desde 2019 e foi internado para tratar o vício em drogas.

Dependente químico havia mais de 20 anos, ele chegou a ser internado em uma comunidade terapêutica em São Carlos, no interior paulista, em 2013, após ter sido preso sob acusação de tráfico de drogas no centro de Campinas, em 2011. Ele também tinha passagem por roubo.

De acordo com os registros policiais da época, ele portava uma pedra de crack e R$ 27. Próximo ao flagrante, os policiais encontraram 12 papelotes de cocaína. Em depoimento à polícia, ele afirmou ser usuário de drogas e que havia comprado crack do casal preso junto no flagrante. O local é conhecido pelo consumo e venda de drogas, segundo relato dos policiais.

A Justiça o condenou ao regime semiaberto, mas nova decisão converteu a pena para regime aberto. Foi quando ele deu entrada na comunidade terapêutica Casa de Recuperação Alvorada, onde ficou por nove meses.

A advogada Priscila Simões, que o atendeu no pedido de progressão da pena para o regime aberto, conta que ele pagou os honorários com o trabalho feito dentro do centro de ressocialização onde cumpria o semiaberto, em Atibaia. “É uma cadeia pequena onde a maioria, senão todos, trabalham. Alguns dentro da unidade e outros saem para realizar serviços fora”, disse.

Pelo porte de droga no centro de Campinas, ele foi autuado pelo artigo 28 da Lei de Drogas, que trata dos usuários. “O Raimundo acabou sendo condenado e teve como sanção três meses de prestação de serviços à comunidade”, contou a advogada.

Em 2019, Fonseca Júnior foi internado no Caps AD (Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas) em Santana, na zona norte, “por conta de expressões de sofrimento biopsicossociais em decorrência do uso abusivo de drogas”, segundo relatório da unidade de saúde.

Ainda segundo o documento, “usuário permaneceu em situação de rua por longos períodos em cenas de uso na região central de São Paulo exposto a riscos importantes.”

Em relato aos agentes de saúde, Fonseca Júnior disse que se mudou de Campinas para São Paulo em decorrência do agravamento do vício em álcool e drogas.

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