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Suécia diz que adesão à Otan ajudará a evitar ataque da Rússia

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um dia depois de a Finlândia anunciar seu pedido de entrada na Otan, o Parlamento da vizinha Suécia divulgou um relatório considerado vital para a tomada do mesmo passo no qual considera que a medida trará segurança, mas em que admite riscos de retaliações da Rússia.

A percepção de que Moscou representa um ameaça real aumentou brutalmente nos dois países nórdicos, vizinhos inclusive fronteiriços no caso finlandês da terra de Vladimir Putin, após a invasão da Ucrânia pelas forças do Kremlin.

“Uma adesão terá um efeito dissuasivo no norte da Europa”, diz o texto de 43 páginas, elaborado pelo governo e pelos partidos representados no Parlamento. O texto afirma que “não se podem excluir provocações e represálias russas” pela medida, mas que o risco é baixo.

“Nossa opinião é a de que não sofreremos um ataque militar convencional como reação a uma eventual candidatura”, afirmou a chanceler do país, Ann Linde. O relatório abre caminho para a aprovação do pedido pelo Parlamento

A recomendação, que não foi explícita contudo, deverá ser seguida pela mudança na posição histórica do principal partido do país, o Social Democrata, que divulga seu parecer sobre a adesão no domingo (15). Já há maioria na Casa e na opinião pública em favor da medida, cuja aprovação deverá acontecer talvez no mesmo dia ou na semana que vem.

Tomada, a decisão reverterá mais de 200 anos de história. A Suécia se orgulhava de sua neutralidade, decidida em 1809 após a perda da mesma Finlândia para o Império Russo em uma de seus diversos conflitos. Já a Finlândia era neutra desde o fim a Segunda Guerra Mundial, na qual lutou duas vezes contra a União Soviética.

A Rússia adotou um tom ameaçador sobre a adesão da Finlândia, e fará o mesmo com a Suécia. O Kremlin disse que a adesão é um risco para a segurança nacional russa, uma terminologia sombria pois remete à retórica contrária a eventual adesão da Ucrânia à Otan antes da guerra.

A medida mais provável, segundo observadores militares, é o deslocamento oficial de mísseis com capacidade nuclear para Kaliningrado, região russa espremida entre a Lituânia e a Polônia, à beira do mesmo mar Báltico que banha Suécia e Finlândia. Estocolmo já disse que isso não significaria muito, por considerar que os russos já têm essas armas por lá.

Já a Otan, na figura do secretário-geral Jens Stoltenberg, celebrou o anúncio finlandês e já disse esperar o sueco. Ambos os pedidos, se não houver alguma reviravolta no caso sueco, serão analisados oficialmente na cúpula de junho da aliança militar ocidental, em Madri.

A dúvida que fica é acerca das garantias provisórias de segurança, já que um processo de adesão à Otan dura de oito meses a dois anos, normalmente, a partir da inscrição formal. Ninguém quer esperar tanto, em especial se Putin conseguir encerrar a guerra contra Kiev sem exaurir suas forças.

A decisão dos países nórdicos é mais um efeito geopolítico extremo da guerra, iniciada em 24 de fevereiro. Toda a estrutura de segurança europeia está em reorganização, e diferenças de interesses entre membros da Otan emergem dia a dia, embora a aliança tenha renovado seu senso de missão.

De lá para cá, a Rússia foi objeto de sanções econômicas nunca antes vistas em tempos modernos, todo o arcabouço energético europeu está em xeque, a Otan passou a armar pesadamente a Ucrânia e arriscar uma Terceira Guerra Mundial no processo, a Alemanha anunciou um programa de remilitarização e a China contempla a situação da aliada Moscou como um misto de preocupação e ambição num mundo polarizado.

Apesar da atitude oficial, nem Suécia, nem Finlândia são totalmente neutras. Ambas são membros da União Europeia, bloco político que tem em seu tratado fundador uma cláusula que prevê assistência militar dos colegas em caso de agressão. Mas isso nunca foi usado.

No caso sueco, um país muito mais desenvolvido e incisivo do ponto de vista militar do que a Finlândia, há outras implicações para a adesão. Ao longo dos anos, Estocolmo sempre buscou agir em consonância com a estratégia ocidental, participando de manobras militares conjuntas e compartilhando inteligência.

Mas, ao mesmo tempo, sempre buscou ter uma indústria de defesa própria e avançada. Tem produção naval e aeroespacial, como provam os caças Saab Gripen comprados pelo Brasil, e cerca de 85% de sua receita vem de exportação. Aderir à Otan significa entrar num grande bazar em que os atuais 30 membros em tese usam armas e sistemas que são compatíveis entre si.

Isso poderá favorecer a exportação de produtos como os lançadores de foguete antitanque NLAW, estrelas na Guerra da Ucrânia, mas há dúvidas sobre o impacto por exemplo na venda do Gripen. O caça americano F-35 já derrotou o sueco em duas concorrências recentes, inclusive uma para fornecimento de 64 aparelhos à Finlândia, e tem se firmado como padrão do bloco ocidental.

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