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Troca em ministério fragiliza presidente da Petrobras, avaliam integrantes do governo

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A saída de Bento Albuquerque do Ministério de Minas e Energia fragilizou a posição de José Mauro Coelho no comando da Petrobras, avaliam integrantes do governo ouvidos pela reportagem.

Segundo relatos, há dois principais motivos para a situação delicada: além de ter perdido seu padrinho político, Coelho despertou a antipatia do presidente Jair Bolsonaro (PL) após anunciar um novo reajuste do preço do diesel.

Pesa a favor de Coelho, contudo, o fato de que uma nova troca no comando da estatal poderia trazer mais desgaste para a Petrobras e para o governo.

Desde o início do governo, Bolsonaro já trocou duas vezes o comando da petroleira. A perda de valor na primeira troca, quando Roberto Castello Branco deixou a empresa em fevereiro de 2021, chegou perto de R$ 73 bilhões devido ao temor de investidores –que venderam papéis, desconfiados de que o governo mudaria a política de preços da companhia e passaria a interferir diretamente.

Com a queda do general Joaquim Silva e Luna, que foi demitido por Bolsonaro após um mega-aumento no preço de combustíveis, ocorreu perda de valor de menor proporção porque o governo logo tratou de contornar a crise escolhendo José Mauro Coelho, indicado para o cargo no começo de abril.

Para assumir a companhia, ele teve o apoio de Albuquerque, de quem foi auxiliar como secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis no MME. A pasta agora está sob a chefia de Adolfo Sachsida, egresso do Ministério da Economia.

Quem acompanha a estatal diz que, ainda que sobreviva à turbulência política, Coelho ficará mais exposto quando tiver de anunciar um novo aumento no preço da gasolina –o que é esperado devido o preço internacional do barril continuar subindo.

O executivo entrou na mira do presidente da República há cerca de duas semanas, quando o governo ficou sabendo que a empresa aumentaria de novo os valores do combustível. Coelho foi a Brasília, onde teve duras conversas com Bolsonaro e a cúpula do governo.

Segundo aliados de Bolsonaro, há uma ala do governo que resiste à demissão de Coelho pelo sinal de instabilidade que isso pode gerar e trabalha para evitar que o presidente o retire da presidência da estatal.

Interlocutores no setor também avaliam que seria negativa uma eventual nova troca no comando da Petrobras neste momento, trazendo ainda mais insegurança.

Nesse caso, segundo assessores do Planalto, a preocupação cairá sobre a governança da empresa, já que, para trocar o presidente nos próximos meses, Bolsonaro teria de convocar uma assembleia fora do prazo definidos pelas regras do mercado –o que deflagraria uma crise de confiança.

À reportagem, um deles disse ainda que, se o objetivo do governo for mesmo privatizar em um eventual segundo mandato, Coelho seria o nome ideal. O plano de venda da empresa, no entanto, não deve ser concretizado no curto prazo.

O aumento do preço médio do diesel de 8,87% nas refinarias da Petrobras foi anunciado na segunda-feira (9). A alta era esperada pelo mercado, diante da escalada das cotações internacionais nas últimas semanas, mas isso não impediu a irritação de Bolsonaro.

No governo, é considerado um agravante o fato de o reajuste ter sido anunciado quatro dias depois da divulgação de um lucro de R$ 44,5 bilhões no primeiro trimestre de 2022. O resultado, divulgado na quinta-feira (5), foi o terceiro melhor da história da companhia.

No mesmo dia, Bolsonaro classificou o lucro da empresa como “estupro” e “absurdo”. “Petrobras, estamos em guerra. Petrobras, não aumente mais o preço dos combustíveis. O lucro de vocês é um estupro, é um absurdo. Vocês não podem aumentar mais o preço do combustível”, disse em sua live semanal.

Não à toa, a queda do ministro Albuquerque foi selada na terça-feira (10), mesmo dia em que o reajuste começaria a valer nas refinarias.

O agora ex-ministro era muito próximo do presidente e foi um dos poucos que deixaram o primeiro escalão sem ser alvo de fritura prévia do chefe do Executivo.

A saída foi publicada no Diário Oficial “a pedido” –mas, segundo a Folha apurou, foi mesmo de uma decisão do presidente, irritado com os sucessivos aumentos nos preços de combustíveis no ano em que busca se reeleger.

Albuquerque era o principal fiador de Coelho na Petrobras. Com a mudança no ministério, o presidente da estatal caiu no desgosto de Bolsonaro.

Já o novo titular da pasta, Sachsida, assumiu prometendo avançar nos estudos de privatização da companhia. Em busca de um maior alinhamento a esse objetivo, fontes na ala política do governo avaliam que o novo ministro pode querer indicar alguém de seu círculo mais próximo.

O principal nome que surge nas conversas com interlocutores do governo é o de Caio Paes de Andrade, secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital da Economia. Já cotado em outros momentos para chefiar a empresa, ele conta com a simpatia de Bolsonaro e de Paulo Guedes.

Coelho é o terceiro a ocupar a presidência da Petrobras no governo Bolsonaro, e sua indicação só foi concretizada após a polêmica envolvendo o nome de Adriano Pires, o primeiro escolhido por Albuquerque para suceder Silva e Luna.

Coelho, que assumiu formalmente a presidência da Petrobras no dia 14 de abril, investiu até agora em uma intensa agenda em Brasília, com reuniões semanais, segundo relatos.

Na terça, antes da troca no MME, ele fez uma visita de cortesia a ministros do TCU (Tribunal de Contas da União). Após as mudanças, na quinta-feira (12), se encontrou separadamente com Sachsida e com o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira.

Em meio à avaliação de governistas sobre o presidente da Petrobras, o próprio Bolsonaro sinalizou que poderia fazer novas “mudanças de pessoas”, ao mencionar a companhia em sua transmissão semanal nesta quinta.

Ele afirmou que a empresa precisa entender seu papel e que a forma de isso ocorrer seria por meio de trocas como a feita por ele no comando do MME.

“Estamos fazendo o possível. Sem interferência, obviamente. Para fazer a Petrobras entender qual o seu papel. Entender como? Fazer aqui mudanças, como nós fizemos aqui no MME”, disse Bolsonaro.

“A gente espera fazer mudanças de pessoas, que a gente possa fazer, que a gente possa buscar minorar, diminuir o preço do combustível no Brasil. Deixo bem claro que está previsto em lei, é o caso da Petrobras, que ela tem que ter o seu papel social, no tocante a preço de combustível”, continuou.

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