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Moradores encontram aluguéis caros e falta de imóveis ao voltarem a Nova York pós-Covid

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NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) – Nova York foi uma das cidades mais afetadas pelo início da crise da Covid nos EUA. Nos primeiros meses da pandemia, concentrava a maior taxa de mortes do país. Assim, muita gente decidiu se mudar.

Entre março de 2020 e fevereiro de 2021, a metrópole perdeu 160 mil famílias ou grupos que moram juntos, indicou a empresa de análises Melissa, que se debruçou sobre o total de chegadas e partidas com base em mudanças de endereços registradas pelo serviço postal. Dados do Censo confirmam a tendência: Nova York perdeu 3,8% de sua população, ou 336 mil pessoas, entre abril de 2020 e julho de 2021.

Há, porém, alguns indicadores de melhora: entre março de 2021 e fevereiro de 2022, a queda foi menor. Somando chegadas e partidas, a cidade ficou com 100 mil famílias a menos. No mesmo período, 43 mil famílias se mudaram para a região de Manhattan, contra 33 mil no ano anterior, o primeiro da pandemia.

Apesar disso, a retomada é marcada por forte alta dos preços e por escassez de opções. Em maio, os aluguéis de Nova York estavam 29,5% mais caros do que há um ano, segundo o site Apartment List. Os aluguéis subiram quase o dobro da média nacional no período. Hoje, um apartamento de dois quartos custa, em média, US$ 2.124 (R$ 11,1 mil) mensais, enquanto a média nacional é de US$ 1.320 (R$ 6.900).

Há diversas razões para esse cenário. Com a Covid, houve uma tendência de reagrupamento familiar, em que muitas pessoas deixaram de viver sozinhas. “Muitos deles eram jovens adultos, especialmente aqueles que moravam com colegas. Eles deixaram seus aluguéis e voltaram a morar com a família enquanto esperavam a pandemia passar”, afirma Rob Warnock, pesquisador sênior da Apartment List.

Mas foi algo temporário. Conforme a crise sanitária passava, muitos voltaram a morar sozinhos. E, ao mesmo tempo, mais pessoas que antes viviam com parentes quiseram ter o próprio lar, o que aumentou a pressão sobre o mercado de aluguéis, em particular nas grandes cidades. Assim, o total de moradias ocupadas nos EUA passou o pico pré-pandemia e atingiu o recorde histórico de 131 milhões em 2021.

Do outro lado desse mercado, o de venda de casas, também houve uma diminuição da oferta, em parte devido à falta de materiais de construção e de trabalhadores. Em 2021, havia menos de 700 mil imóveis disponíveis para compra nos EUA, metade do que no ano anterior. Assim, os imóveis disponíveis também subiram de preço, levando mais pessoas a desistirem ou adiarem a compra e a buscarem aluguéis.

Portanto, quem procura moradia em metrópoles enfrenta dificuldades. “Buscar imóveis apenas pelos sites não funciona. Foi preciso contratar uma corretora, que consegue ter acesso a ofertas antes que elas sejam anunciadas”, diz Juliana Carneiro, 33, estudante que se mudará para Nova York em julho.

Ela conta ter ficado um mês e meio buscando apartamentos. “As opções que surgem são alugadas muito rapidamente. Uma vez, marquei de ver três locais num dia. De manhã, dois já haviam sido alugados.”

A ajuda da corretora foi útil, mas salgada: geralmente cobra-se entre 12% e 15% do valor anual do aluguel. No caso de Carneiro, o percentual representou US$ 6.000 (R$ 31,4 mil), a serem pagos junto com o valor de depósito, que tiveram de ser quitados em até 24 horas depois do fechamento do negócio.

Com a alta procura, proprietários passaram a exigir mais documentos para aprovar um locatário. Muitos deles pedem que o interessado traga referências do aluguel anterior, para comprovar que se trata de um bom inquilino. Pede-se também uma carta do empregador, detalhando todos os benefícios recebidos.

Para os próximos meses, o cenário segue incerto, dada a alta inflação nos EUA e o aumento das taxas de juros, que encarecem financiamentos e podem levar mais gente a buscar a opção do aluguel. Também não está claro se as empresas vão manter o trabalho remoto em larga escala ou exigir que mais funcionários vivam perto das sedes, o que impacta a busca por moradia nas metrópoles.

“Alguns indicadores mostram que a alta de preços está começando a esfriar. Os valores continuam subindo, mas a taxa de crescimento está freando. Esse esfriamento, porém, provavelmente não reverterá muito a alta de preços atual”, afirma Warnock, da Apartment List. “O mercado imobiliário está passando por uma mudança significativa, e as implicações virão ao longo de anos, não meses.”

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