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‘Bota ponta, Telê’: após 40 anos, Jô Soares estava certo na ‘corneta’ a Telê Santana?

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Torcedor do Fluminense, o apresentador Jô Soares, que faleceu na madrugada desta sexta-feira, aos 84 anos, em São Paulo, não escondia a sua paixão pelo futebol. Tanto que, em um de seus vários personagens eternizados, virou o símbolo de uma “corneta” brasileira na Copa do Mundo de 1982. Quem viveu naquela época não esquece do famoso bordão “Bota ponta, Telê”. Mas será que o gênio da televisão estava certo?

A corneta era o principal bordão do personagem Zé da Galera, que criticava o esquema tático utilizado pelo então técnico Telê Santana às vésperas daquele Mundial. Semanalmente, ele ia para uma orelhão e contestava as escolhas do comandante. O Brasil acabou eliminado após ser derrotado por 3 a 2 para a Itália, no que ficou conhecida como a “Tragédia do Sarriá”.

Para o comentarista Paulo Vinícius Coelho, no entanto, o pedido de Jô Soares não era possível de ser realizado. Ele lembra que a seleção brasileira de 1982 é lembrada até hoje mesmo sem utilizar pontas de ofícios, situação que se tornou comum anos depois e está presente no futebol atual.

— Acho que o “Bota ponta, Telê era algo muito particular daquele momento. E é curioso que o Jô, que era um torcedor fanático do Fluminense nos anos 1950, gostava do próprio Telê Santana, que era um ponta “mas não era” um ponta. Ele comemorou o título do Campeonato Carioca de 1951 jogando assim. Na seleção, ele fazia isso com Paulo Isidoro, era exercia a mesma função que o Jô gostava há 30 anos — conta PVC, que lembra que, além de Jô Soares, outras pessoas também faziam a mesma cobrança à Telê Santana.

— A questão central é a que a galera levantava uma questão tática. Depois da tragédia do Sarriá, se você pegar o livro do João Saldanha, ele diz que a única vantagem na eliminação foi porque “acabou com o charlatanismo”. Ele chamava o Telê de charlatão porque teria negado uma lei da física, de ocupar espaços. No caso, a ponta direita. É muito louco isso. Mas era uma crítica muito particular. A seleção de 1982 é saudada até hoje — completa.

PVC também diz que o Brasil de 2022 está servido de bons pontas para a Copa do Mundo. Na última convocação, o técnico Tite chamou seis jogadores que odem ocupar esta função: Gabriel Jesus, Neymar, Raphinha, Richarlison, Rodrygo e Vini Júnior. Também lembrou de clubes brasileiros que tem “pontas que não são pontas”, como Telê Santana fazia.

— A diferença do jogo [de 1982 para 2022] é que se voltou a jogar no 4-3-3 porque o preparo físico melhorou. Jogadores consegue atacar, defender, abrir na ponta e cobrir o lateral de maneira eficiente. Mas tem casos como o Willian, que é o ponta no Corinthians, mas não joga da maneira que o Jô gostaria. O Bruno Henrique é ponta no Flamengo, mas joga de atacante.

Bom para o Brasil em 2022

Já Paulo César Vasconcellos segue a mesma linha ao lembrar que Telê Santana a chegou a escalar pontas na estreia do Brasil na Copa do Mundo de 1982, mas não deu tão certo dentro de campo— venceu a União Soviética pelo placar magro de 2a 1. Para o comentarista, o desejo de se escalar a seleção brasileira desta forma não fazia tanto sentido.

— O ponta daquela seleção poderia ser o Tita na época, mas ele queria jogar por dentro na mesma função do Zico. Mas não foi por esse motivo que a seleção não foi bem na Copa do Mundo. Aliás, na estreia contra a União Soviética, em colocou o Dirceu de ponta esquerda de pé trocado. Colocar ponta na seleção não fazia tanto sentido.

PC também se diz tranquilo quanto a utilização de pontas na seleção brasileira de Tite na Copa do Mundo de 2022. Para ele, a tendência é que dois sejam titulares, inclusive.

— Hoje o Brasil está muito bem servido tanto do lado direito quando do lado esquerdo. Pegando um jogador como Raphinha, Antony, esses jogadores certamente estariam na lista que o Telê fez. Inclusive, acredito que o Brasil atuará com dois pontas, pontas mesmos, não de de pés trocados, mas que finalizam, que cortam para o meia, como titulares — completa.

Para Carlos Eduardo Mansur, a questão tem a ver com a tradição brasileira para encontrar soluções fáceis quando algo não funciona.

— A história do “bota ponta” tem muito a ver com o imaginário. O Brasil foi campeão em 1958, 1962 com o Garrincha. Mas em 1970 não tinha pontas, por exemplo. Naquela época, em 1982, o time mais campeão da época, tinha Tita e Lico no ataque, que não eram pontas. Eu não acho que a falta de um ponta implicou na derrota. Na Copa nós tínhamos um time com muita mobilidade. Era um primórdio do 4-2-3-1 — afirma Mansur, também elogiando os pontas que devem estar no Catar na Copa de 2022:

— E para 2022, a ponta é uma posição que o Brasil está muito bem servido. Os pontas ganharam espaço no time e a seleção deu uma subida quando elesentraram. Falo especificamente do Raphinha, do Vini Júnior, do Antony e do Rodrygo. O que mudou para agora é que não se jogava tanto com pontas de pé invertido. Essa é a principal diferença para aquela época.

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