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Bradesco vê inadimplência em alta no 2º semestre

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em um cenário de aumento da taxa de juros e inflação pressionada que contrai o poder de compra da população, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, afirmou que os índices de inadimplência do banco devem seguir na recente trajetória de alta nos próximos meses.

“Ainda vemos a inadimplência crescendo no segundo semestre, a depender das condições de emprego e renda”, afirmou Lazari Junior, durante conversa com jornalistas nesta sexta-feira (5).

O índice de inadimplência acima de 90 dias do Bradesco encerrou junho em 3,5%, contra 2,5% em junho do ano passado, e 3,2% em março deste ano, de acordo com os dados do balanço referente ao segundo trimestre divulgados na quinta-feira (4).

A expectativa do banco é que o índice tenha um aumento ao redor de 0,1 ponto percentual durante o terceiro trimestre.

A alta da taxa de atrasos nos últimos meses teve influência importante do comportamento das pessoas físicas. O índice de inadimplência desse público foi de 4,8% no encerramento do segundo trimestre, ante 3,4% em igual período de 2021, e 4,4% no final do primeiro trimestre deste ano.

Entre as micro, pequenas e médias empresas, a inadimplência foi de 3,9%, contra 2,6% há um ano, e 3,6% no trimestre anterior. Já entre as grandes empresas, os atrasos acima de 90 dias foram de apenas 0,1%, contra 0,4% em junho de 2021, e estáveis na comparação trimestral.

Lazari Junior disse também que, com o aumento esperado para a inadimplência, a PDD (Provisão para Devedores Duvidosos), que indica as possíveis perdas que o banco poderá sofrer pelo não pagamento de clientes inadimplentes, também deve avançar em um ritmo mais acelerado na segunda metade do ano.

A PDD do Bradesco no primeiro semestre totalizou R$ 10,1 bilhões, uma alta de 37,3% na comparação anual. No guidance de projeções para o resultado do ano fechado de 2022, o banco prevê que as provisões alcançarão uma faixa entre R$ 17 bilhões e R$ 21 bilhões. Segundo o presidente do Bradesco, a expectativa é que as provisões encerrem o ano perto do topo do guidance estipulado.

“O cenário permaneceu bastante complexo no segundo trimestre de 2022, com uma combinação de inflação elevada, os impactos causados pela Guerra da Ucrânia nas cadeias globais de suprimento e commodities e a necessidade de aperto monetário nas principais economias globais”, disse o executivo.

Desaceleração na expansão do crédito no 2º semestre Lazari Junior afirmou ainda que, com a taxa Selic no patamar de 13,75% ao ano, possivelmente avançando para 14% segundo as últimas sinalizações do BC (Banco Central), e frente a uma base de comparação mais forte do segundo semestre do ano passado, a expansão da carteira de crédito deve perder parte do seu ímpeto ao longo dos próximos meses.

O banco reportou um crescimento de 17,7% da carteira de crédito, que alcançou R$ 855,4 bilhões em junho. A estimativa do Bradesco é que a carteira encerre o ano com uma expansão entre 10% e 14%.

As incertezas sobre a condução da política econômica a partir de 2023, acrescentou Lazari Junior, também devem fazer com que as empresas posterguem os planos de investimento até que tenham uma clareza maior a respeito do cenário à frente.

O executivo disse ainda que o banco não tem a intenção de operar os empréstimos consignados para beneficiários do programa social Auxílio Brasil, sancionado na quarta-feira (3) pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Entendemos que é melhor a gente não operar nessa carteira, porque estamos falando de pessoas vulneráveis, e em vez de ser uma boa operação para o banco e para o cliente, entendemos que essas pessoas terão um pouco mais de dificuldade quando esse benefício cessar.”

Presidente do Bradesco defende posicionamento em prol da democracia Em relação ao apoio da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) ao manifesto em defesa da democracia da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o presidente do Bradesco afirmou que o processo ocorreu de maneira natural e democrática.

“Foi uma votação hiper democrática, hiper republicana, que é o que a gente quer que aconteça, e isso é natural dentro das federações, dentro das organizações da sociedade civil como um todo. A gente preza para que isso continue dentro do nosso país”, afirmou o executivo, que é um dos signatários do manifesto publicado nesta sexta pela Fiesp.

Ele disse ainda que sua adesão ao manifesto é uma “decisão pessoal, e está totalmente voltada para a defesa da democracia no nosso país. É isso que a gente busca. E se olharmos o teor do manifesto, é um teor muito sereno, e é aquilo que todo cidadão brasileiro gostaria. A gente está muito tranquilo, e o nosso objetivo principal é a defesa de um patrimônio que nós temos no Brasil, que é a democracia no nosso país.”

Controlados pelo governo, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil se posicionaram contra a adesão da Febraban ao manifesto em favor da democracia.

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