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Jerominho, ex-chefe da Liga da Justiça, foi policial civil nos anos 1970

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Apontado como ex-chefe do grupo miliciano Liga da Justiça, o ex-vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, foi morto no fim da tarde desta quinta-feira (4), na zona oeste do Rio de Janeiro.

O crime está sob investigação na DHC (Delegacia de Homicídios da Capital).

Na tarde desta sexta (5), investigadores foram até o local do crime para coletar possíveis provas. Até o fim da tarde, a polícia não havia divulgado informações sobre suspeitos do assassinato.

Jerominho e mais um homem, ainda sem identificação, foram atingidos por tiros quando se encaminhavam para entrar em um carro, na estrada Guandú do Sapé.

Segundo imagens que circulam em redes sociais, homens armados pararam um carro ao lado de Jerominho e atiram nele e no homem que o acompanhava.

Após ser ferido, o ex-vereador chegou a ser atendido no Hospital Oeste D’or, mas não resistiu.

Jerominho foi policial civil no Rio de Janeiro durante a década de 1970. Quando decidiu entrar para a política, nos anos 2000, se tornou muito conhecido nos bairros da zona oeste e se consolidou como um dos vereadores mais influentes da região.

Ele foi eleito vereador do Rio pela primeira vez em 2000, com 20.560 votos. Reeleito em 2004, com 33.373 votos, ficou no cargo até 2008.

Durante o mandato, ele foi um dos principais nomes investigados entre 227 indiciados na CPI das Milícias, que chegou ao fim na Alerj em 2008 e foi um marco contra o crime organizado no Rio.

Jerominho foi investigado por formação de quadrilha e condenado por chefiar o grupo miliciano Liga da Justiça.

No Rio, há décadas esses grupos criminosos compostos de ex-policiais interferem nas eleições, comprando votos, ameaçando moradores, garantindo que apenas candidatos de sua preferência façam campanha nos territórios que dominam e matando adversários.

O ex-vereador foi preso em 2007, e o tio, Natalino, chefe do grupo, em 2008. Eles foram condenados a 10 e 15 anos de prisão, respectivamente. Em dezembro de 2008, foram denunciados pelo Ministério Público estadual como chefes de milícia na zona oeste do Rio.

Os dois também foram acusados de extorquir dinheiro da população por meio do controle do transporte alternativo e do fornecimento de gás e TV a cabo, entre outras atividades.

Mesmo da cadeia, Jerominho foi capaz de eleger a filha Carmen Gloria Guinancio Guimaraes Teixeira, a Carminha Jerominho, vereadora em 2009. Contudo, ela pouco exerceu o mandato, pois foi presa em 2009 por participação no grupo paramilitar.

A milícia mudou de nome em 2014, quando Carlos Alexandre Braga, o Carlinhos Três Pontes, foi alçado ao comando do grupo. Ex-traficante, Três Pontes foi morto pela Polícia Civil em 2017.

Ele foi sucedido no comando do grupo por seu irmão Wellington da Silva Braga, o Ecko, que liderou uma agressiva política de expansão da quadrilha para a Baixada Fluminense. Assim como o irmão, Ecko também foi morto pela Polícia Civil, em junho de 2021.

Já solto, em 2018, Jerominho se filiou ao PMB (Partido da Mulher Brasileira) e chegou a afirmar em entrevistas a intenção de se candidatar a prefeito do Rio em 2020.

Em novembro de 2020, a Polícia Federal deflagrou uma operação para apurar ações de uma milícia em favor de três candidatas nas eleições do Rio. Entre os alvos, estava Jerominho.

No fim de janeiro deste ano, Jerominho chegou a ser preso, mas foi solto uma semana depois. Na ocasião, havia contra ele um mandado de prisão por extorsão com emprego de arma contra motoristas de vans que atuavam em Campo Grande. O crime ocorreu em 2005.

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